No meio acadêmico, há muitos artigos e cursos sobre o uso do audiovisual na sala de aula. A animação francesa “O Gato do Rabino”, em que o diretor e ilustrador Joann Sfar (“Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres”) adapta seus próprios quadrinhos de mesmo nome, é um exemplo de produção que deve ser recebida de braços abertos nas escolas.
O desenho se passa na Argélia, onde o tal gato do rabino ganha a habilidade de falar depois de comer um papagaio. Agora o bichano pede a seu dono que lhe organize um Bar Mitzvah. A reclamação do felino deixa o rabino intrigado, porque ele não sabe se é correto fazer esse tipo de cerimônia para um animal.
Enquanto não se decide se a festividade vai acontecer ou não, outros conflitos surgem. O mais importante é que toda a narrativa serve para mostrar aspectos da cultura e da fé judaica.
A aula que se assiste no cinema com essa animação francesa está longe da chatice que se experimenta na maioria das tentativas de se educar com audiovisual. A estética do desenho é elegante e se permite a algumas ousadias. O texto, adaptado pelo próprio diretor/criador dos personagens, é ágil e traz diálogos muito interessantes.
Há vários outros títulos que ensinam aspectos de uma religião para as crianças. O que atesta a qualidade de “O Gato do Rabino” é que, nesse caso, os aprendizes não são tratados como cordeiros. O foco é a educação e não a conversão. Tanto que entre as piadas contidas nas falas do gato estão questionamentos.
Mais importante do que transmitir o conhecimento é ensinar a pensar e essa missão é muito bem cumprida pelo longa.
O Gato do Rabino
(Le Chat du Rabbin, França, 2011)

































