Monica Bellucci desnuda-se pela arte

A melhor coisa do drama francês “Um Verão Escaldante” é a beleza da musa Monica Bellucci (“Irrerversível”), que agracia a plateia com uma cena de nudez despudorada. Bellucci constituiu uma carreira prolífica nos quatro cantos da Europa e não perdeu o status de símbolo sexual mesmo após se casar (com o francês Vincent Cassel, de “Cisne Negro”), construir família e chegar aos 46 anos.

Ela escapou ilesa da imolação promovida por público e crítica ao filme, um dos mais vaiados do Festival de Veneza do ano passado – e nenhuma das justificativas do diretor Phillipe Garrel (pai de Louis, o jovem ator de “Os Sonhadores”, que também participa deste aqui) durante a entrevista coletiva com a imprensa surtiu qualquer efeito positivo.

A sequência mais comentada do filme foi rodada pouco mais de um mês após a atriz ter dado à luz ao segundo filho. Mas ela não demonstrou desconforto durante as filmagens. “Quando você se compromete com o trabalho de um diretor, você deve confiar nessa pessoa”, afirmou Bellucci aos jornalistas presentes em Veneza.

“Eu estava passando por um momento de vulnerabilidade particular, pois tinha acabado de ter um bebê. Mas eu me entreguei por completo e confiei no diretor”, contou, descrevendo o momento como “um ato de generosidade” da parte da equipe. “Eu me senti respeitada e protegida o tempo todo”, garantiu Bellucci.

No filme, ela interpreta Angele, a esposa adúltera do pintor vivido por Louis Garrel. Para a atriz, “foi muito bonito testemunhar a relação pai e filho entre Phillipe e Louis”. Da mesma forma, os hábitos do cineasta, que costuma rodar tudo de “um take só”, para garantir a espontaneidade da performance, representou um desafio e um aprendizado para a musa. “Foi como voltar à escola”, descreveu Bellucci.

A atriz também se disse feliz com o convite de Phillipe para participar do filme. “Respeito muito o seu trabalho. Ele é um diretor que tem o seu próprio universo”, elogiou.

A crítica, contudo, discorda dessa veneração. “Um Verão Escaldante”, uma história de amor passional, foi descrito como lento, enfadonho e desinteressante – acusações que Phillipe rebateu com uma boa dose de soberba.

Comparou-se, por exemplo, com mestres absolutos no ofício. “O cinema que amo é ‘O Demônio das Onze Horas’, de Godard, ‘Persona’, de Bergman, ‘Deserto Vermelho’, de Antonioni. Talvez os críticos achem que não estou no nível deles”, disse Garrel. Louis, o filho, compartilhou da dor de cotovelo. “Parte do público sempre rejeita suas obras”, disse, sobre o legado do pai. “Há artistas cujo trabalho é sistematicamente rejeitado”, completou.

Sequer a cena de nudez de Bellucci deixou de ser posta em xeque. Para alguns, a sequência foi gratuita – e, de fato, o único motivo para “Um Verão Escaldante” ganhar algum destaque. Phillipe, porém, clamou-se de injustiçado e perseguido. “Se não coloco cena de nu, me criticam. Se coloco, me criticam”, ponderou.

O diretor só deixou a presunção de lado ao se referir, justamente, à musa. “Monica é muito humilde em tudo. Ela é simplesmente perfeita”, descreveu Phillipe. Nesse ponto, ao menos, ele, o público e a crítica estão de acordo.

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+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

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