RIO Atores, produtores, diretores e admiradores se reuniram para cultuar o cineasta Pedro Almodóvar (“Abraços Partidos”) no Odeon Petrobrás, na quarta (6/10). Seu mais novo filme, “A Pele Que Habito”, abriu o Festival do Rio, causando uma grande disputa por convites, que resultou em uma sala superlotada, com pessoas sentadas no chão.
A mais empolgada era a espanhola Marisa Paredes (“Espelho Mágico”), que já trabalhou com o diretor diversas vezes, inclusive neste longa. “É um filme muito diferente. O Almodóvar é o maior e mais controverso diretor da Espanha contemporânea”, preveniu.
“Quando li o roteiro, pensei ‘Só o Pedro poderia pensar em algo assim’. Tem gente que diz que este filme não parece Almodóvar. Mas é mais Almodóvar do que nunca”, disse no discurso que abriu o evento.
Destaque de vários filmes de Almodóvar como “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e “Fale com Ela” (2002), Marisa considera o novo filme um trabalho de maturidade do diretor. “Quem assistir vai notar. Eu percebi que ele tinha amadurecido e mudado até a forma como posiciona a câmera”, disse no tapete vermelho.
Na trama, ela interpreta a empregada e mãe de Antonio Banderas (“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”), que vive um cirurgião plástico excêntrico e pouco ético. Ele faz experiências científicas com seres humanos, misturando seus interesses pessoais e profissionais.
A personagem da empregada foge do estereótipo de estrela, que a atriz costuma encarnar. “É completamente diferente do que já fiz, e isso é parte da minha alegria com este papel. Almodóvar sempre tinha me visto como uma diva, mais ou menos brilhante, mas sempre uma diva, daquelas por quem todos se apaixonavam. A Marília representa uma mudança total e absoluta. Durante a filmagem, não tinha que pensar que cílios postiços colocaria”, brinca.
Logo no tapete vermelho, ela encontrou outro amigo pessoal do cineasta, Caetano Veloso (“Coração Vagabundo”). “Eu não esperava encontrá-lo aqui. Estou tão feliz!”, comemorou. O cantor também falou com os jornalistas sobre sua admiração pelo espanhol. “Eu o encontrei em Madri e conversamos sobre ‘A Pele Que Habito’, mas ele não revelou muitos detalhes. Não entendi muito bem. Estou doido para ver”, contou o baiano.
Outra que foi à abertura do festival ansiosa para assistir ao filme, a atriz Antonia Fontenelle chegou acompanhada do marido, o diretor Marcos Paulo (ambos de “Assalto ao Banco Central”). Ela revelou que Almodóvar serviu de inspiração para o longa que lançaram neste ano. “Tem uma cena de ‘Assalto’ que a gente escolheu as cores do cenário inspiradas nele. Tinha que ser uma coisa bem romântica”, lembrou a atriz.
Até a curadora do festival, Ilda Santiago, que preferiu ressaltar os destaques da Premiére Brasil, não resistiu e rendeu elogios a Almodóvar. “Esse filme é ótimo. É um Almodóvar diferente do que ele costuma fazer. Faz a gente repensar nosso papel de ser humano”, expressou, com admiração.
“A Pele Que Habito” terá quatro sessões no festival, que ocorrerão nos próximos domingo e segunda, na Zona Sul da cidade.
































