A atriz Marie-France Pisier, descoberta pelo cineasta François Truffaut e musa do cinema francês, morreu na madrugada deste domingo (24/4) aos 66 anos na localidade de Saint-Cyr-sur-Mer, sudeste da França. Além de sua ligação com o cinema, ela teve uma participação política importante durante as revoltas estudantis de maio de 1968, ao lado de seu então marido, o líder do movimento Daniel Cohn-Bendit.
Marie nasceu em Dalat, Indochina, hoje Vietnã, onde seu pai servia como governador colonial. Ela atuava em um grupo de teatro amador, quando foi descoberta em 1961 por François Truffaut. O diretor buscava uma adolescente para fazer par com Jean-Pierre Léaud, em “Antoine e Colette”, um dos sketches do curta “Amor aos 20 Anos” (1962).
A estreia: ao lado de Jean-Pierre Léaud, em Amor aos 20 Anos, de François Truffaut
Ela voltaria a interpretar a personagem duas outras vezes: em “Beijos Proibidos” (1968) e “Amor em Fuga” (1979), a última aventura de Antoine Doinel, o mítico personagem criado por Truffaut em “Os Incompreendidos” (1959). A atriz, inclusive, colaborou com Truffaut na elaboração do roteiro desta despedida.
Mas foi o ator, roteirista e diretor Robert Hossein quem a transformou em estrela, ao escalá-la em diversos filmes dos anos 60, cujo tom melodramático diferia radicalmente das inovações da nouvelle vague. E assim seria o resto de sua carreira, alternando-se entre dramas de arte e melodramas comerciais.
O reencontro: “Amor em Fuga”, com Léaud e Truffaut
Marie estrelou uma das obras mais conhecidas de Houssein, “O Vampiro de Dusseldorf” (1965), antes de invadir o universo onírico de Allain Robbe-Grillet (“Trans Europ Express”, 1967), Luis Buñuel (“O Fantasma da Liberdade”, 1974), Jacques Rivette (“Julie et Céline Vont en Bateau”, 1974) e, sobretudo, os filmes do jovem André Téchiné.
Graças à parceria com Téchiné, ela obteve duas vezes o César – o Oscar francês – de Melhor Atriz Coadjuvante, por “Memórias de uma Mulher de Sucesso” (1975) e “Barocco” (1976).
O sucesso: Primo, Prima
Depois de estourar internacionalmente com a comédia “Primo, Prima” (1975), de Jean-Charles Tacchella, ela tentou tornar-se mais conhecida do público americano. Mas os três esforços, o melodrama “O Outro Lado da Meia-Noite” (1977), baseado no best-seller de Sidney Sheldon, e as comédias “French Postcards” (1979) e “Miss Right” (1982) fracassaram nas bilheterias.
Continuou alternando produções comerciais, como “O Ás dos Ases” (1982), ao lado de Jean-Paul Belmondo, e trabalhos prestigiados como “A Obra em Negro” (1988), baseado no livro homônimo de Margarite Youcenar, mas ao final da carreira as participações em telefilmes descartáveis passaram a dominar sua filmografia.
A consagração: Barocco
Isto não a privou de participar, nos últimos anos, de obras elogiadas como “O Tempo Redescoberto” (1999), baseado no romance clássico de Marcel Proust, e “Em Paris” (2006), de Christophe Honoré. Ela também escreveu quatro roteiros e dirigiu dois filmes (“Le Bal du Gouverneur”, 1990, e “Comme un Avion”, 2002), mostrando a versatilidade de seu talento.
Hollywood: O Outro Lado da Meia-Noite

































1 Comentário
PERDA LASTIMAVEL
LEMBRANÇAS DE 1973