VENEZA O longa ultraviolento “Pietà”, do sul-coreano Kim Ki-Duk, foi o vencedor do Leão de Ouro na 69ª edição do Festival de Veneza. O filme, que causou polêmica durante sua exibição, devido a uma cena forte de estupro, retrata o relacionamento de um cobrador de dívidas (Lee Jung-Jin) que fere devedores de forma brutal, e uma mulher (Cho Min-Soo) que afirma ser sua mãe.
É a segunda vez que o cineasta é premiado em Veneza. Em 2004, ele venceu o prêmio de direção no festival por “Casa Vazia”. Este ano, as cenas chocantes chamaram atenção para o seu filme, com direito a protestos de alguns espectadores, que abandonaram a première.
Kim Ki-Duk, com o Leão de Ouro de Melhor Filme por Pietà
Até mesmo a vitória de “Pietà” envolveu controvérsia. O enviado especial da revista americana The Hollywood Reporter apurou que o júri havia decidido dar o Leão de Ouro a “The Master”, do diretor americano Paul Thomas Anderson, vencedor do prêmio da crítica. Mas uma das regras do festival não permite que o mesmo filme leve mais de dois prêmios importantes. Assim, “The Master” ficou com os prêmios de Melhor Diretor (Anderson) e Melhor Ator, divididos salomonicamente entre seus protagonistas, Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix. Assim, pelas regras de festival, o filme com melhor direção e atuação, paradoxalmente, não pôde ser considerado o melhor.
Para completar o equívoco, a entrega do prêmio de direção envolveu uma situação constrangedora. Na hora de anunciar o vencedor, o presidente do júri, o diretor americano Michael Mann, inverteu os nomes e acabou dando o prêmio errado ao diretor austríaco Ulrich Seidl. Depois, chamou-o de volta ao palco para trocar o troféu, que pertencia a Anderson.
Philip Seymour Hoffman, com a Copa Volpi de Melhor Ator por The Master
Seidl, por sua vez, ficou com o Prêmio Especial do Júri, por “Paradise: Faith”, segunda parte de uma trilogia, que também rendeu controvérsia, graças a uma cena de masturbação com crucifixo. Outro filme bastante comentado durante o festival, o israelita “Fill the Void”, da diretora Rama Bursthein, rendeu o troféu de Melhor Atriz à Hadas Yaron. A trama desnuda a sociedade machista dos judeus ortodoxos, acompanhando a protagonista ser empurrada para um casamento arranjado. Por sua vez, o prêmio de Melhor Roteiro ficou com o mais apreciado “Après Mai”, do francês Olivier Assayas, sobre a juventude contestatória embalada pelos ideais de maio de 1968.
Entre os italianos, o jovem ator Fabrizio Falco levou o prêmio Marcello Mastroianni, por sua atuação nos filmes “Bella Addormentata”, de Marco Bellocchio, e “È Stato Il Figlio”, de Daniele Cipri. Este último também ganhou o prêmio de Melhor Fotografia.
Hadas Yaron, com a Copa Volpi de Melhor Atriz por Fill the Void
Após o anúncio dos vencedores, os italianos manifestaram seus protestos. O crítico de cinema Pietro Romanelli reclamou da ausência de Marco Bellocchio na lista de premiados, uma vez que seu filme foi muito bem avaliado. “Foi uma vergonha. Bellocchio é esnobado pelo júri sempre que participa, mas não dava para esperar outra coisa de um júri cheio de americanos”, disse, revoltado.
O público também reclamou do descaso dos americanos com a premiação. Joaquin Phoenix e Paul Thomas Anderson não pareceram para receber seus prêmios pessoalmente, o que não caiu bem, alimentando mais uma controvérsia no encerramento do festival.
Olivier Assayas, com o prêmio de Melhor Roteiro por Après Mai
Confira a lista completa dos premiados no Festival de Veneza
Leão de Ouro de Melhor Filme
“Pieta”, de Kim Ki-duk (Coreia do Sul)
Leão de Prata de Melhor Diretor
Paul Thomas Anderson por “The Master” (EUA)
Prêmio Especial do Júri
“Paradise: Faith”, de Ulrich Seidl (Áustria)
Copa Volpi de Melhor Atriz
Hadas Yaron por “Lemale et Ha’chalal” (Israel)
Copa Volpi de Melhor Ator
Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman por “The Master” (EUA)
Prêmio Marcello Mastroianni de Novo Talento
Fabrizio Falco, por seus papéis em “E Stato il Figlio” de Daniele Cipri e “Bella Addormentata” de Marco Bellocchio (Itália)
Melhor Roteiro
Olivier Assayas, de “Après Mai” (França)
Prêmio de Melhor Fotografia
Daniele Cipri, de “E Stato il Figlio” (Itália)































