Katy Perry se mostra por inteiro aos fãs

A cantora Katy Perry conversou com a imprensa brasileira nesta segunda (30/7), em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela está no Brasil para divulgar seu documentário “Part of Me”, que conta sua trajetória com imagens de bastidores e de arquivo pessoal, além de trazer muitas músicas e cenas de seus shows.

Esta é a segunda vez que a cantora vem ao Brasil. Ela fez show em São Paulo e participou do Rock in Rio em 2011, e estas cenas, inclusive, acontecem em momentos importantes do filme, que estreia nos cinemas brasileiros na sexta (3/7). Durante a divulgação do documentário, Katy disse que a empolgação e a dedicação dos fãs, que presenciou no Brasil, foi o remédio que ela precisava para sair da depressão durante o período em que seu casamento com o ator Russell Brand entrou em crise.

“No filme, vocês podem ver que os brasileiros me apoiaram em um momento em que eu estava precisando”, ela confirmou aos jornalistas no Rio. E também comentou os gritos de “Katy, eu te amo”, que a fizeram chorar em São Paulo e que têm destaque no longa: “Na hora, eu não sabia o que significava, mas sabia que era algo legal. Me senti acolhida e foi o momento perfeito. Por isso, sempre voltarei ao Brasil”, agradeceu.

A empolgação dos fãs podia ser ouvida durante toda a entrevista, graças à gritaria do lado de fora do hotel. Segundo Katy, também pôde ser ouvida a noite inteira. “Eles não me deixaram dormir, com tanto barulho. Mas não posso reclamar. Os brasileiros são muito apaixonados, não sei o que tem na água. São os meus fãs mais apaixonados, a minha timeline no twitter está sempre repleta de respostas em português”, contou. Por causa do alvoroço dos fãs em frente ao hotel, ela acordou às 5h30 desta segunda.

Katy diz ter feito questão que as cenas dos fãs brasileiros integrassem o documentário, embora, segundo ela, tivesse à disposição um farto material. “Editamos cerca de 300 horas de filmagens. Claro que terão cenas extras legais no DVD, mas o mais importante está lá”, explicou.

A ideia original do projeto era quase uma história de conto de fadas. De como a menina sonhadora se tornou a princesa do final feliz. Mas muitas situações imprevistas aconteceram durante as filmagens, que tornaram o documentário um registro cândido de um momento difícil de sua vida. “Foi ideia minha mostrar as filmagens em que tenho 18 anos sonhando com aquilo e depois mostrar o sonho realizado”, explicou. “Eu sempre quis fazer este filme como algo bastante pessoal, só não sabia que aconteceriam tantas coisas pessoais exatamente naquele ano da minha vida. Mas decidi manter estas coisas que podem ser difíceis para eu assistir, pensando que poderiam ajudar pessoas que estivessem na mesma situação, além de manter o projeto honesto.”

Ela diz que, se é duro rever aqueles momentos, será ainda mais árduo para seu ex-marido, Russell Brand, assistir ao filme. “Ele não vai achar legal porque foi difícil”, conta. “Tentei lidar com tudo da maneira mais delicada e cuidadosa, com respeito. Mas ao rever algumas cenas é como se revivesse aquelas dores”, explicou.

“Part of Me” captura os momentos em que ela entra em depressão, quebrando o clima alegre dos bastidores de sua turnê. Os fãs não sabiam, mas antes de subir ao palco em São Paulo, no dia 25 de setembro, Katy chorou e quase cancelou a apresentação. Naquele dia, ela soube por telefone que Russell pediria o divórcio e teve a certeza de que seu casamento tinha acabado. Ela conta que encontrou força no amor dos fãs brasileiros.

“Decidi incluir tudo isso, porque se vocês tivessem visto o filme sem que ele refletisse o divórcio, se perguntariam: ‘o que ela está escondendo?’, e eu não me escondo. Não é legal me ver triste e chorando nas cenas, mas gosto de apontar o elefante na sala. Mas o filme é sobre superar obstáculos e isso aparece. Nele, você me vê superar alguns obstáculos pelo menos três vezes”, revela.

Retomando a metáfora da fábula encantada, ela completa: “Meu conto de fadas é que eu faço meu final feliz, não preciso do príncipe encantado para ter meu final feliz”. A declaração é praticamente um manifesto. E rendeu também um clipe recente, “Wide Awake”, em que ela literalmente soca o príncipe encantado para seguir adiante.

São mensagens de superação como esta, aliadas à sua alegria de viver, que se reflete em visual extravagante e clipes coloridos, que fizeram Katy ser adorada também pelo público gay. E ela diz amar este público, mesmo tendo sido criada num ambiente intolerante, como filha de um pastor. Este ambiente, por sinal, é retratado no filme.

“Infelizmente, eu cresci em uma atmosfera pouco tolerante e nunca entendi por quê. Sempre fui uma criança que fazia muitas perguntas. Aos 17 anos, quando saí de casa, percebi que aquele não era o meu mundo”, relembrou. “Eu acredito em tolerância, espero que a gente olhe pra trás um dia e seja como a conquista dos direitos civis: ‘como a gente pensava assim?’. O fato é que, com a passagem do tempo, meus pais estão mais liberais. Estamos mais amigos”, destacou.

Sua maior incentivadora, aliás, é sua avó, de 91 anos. “Não estaria aqui se não fosse por ela. Ela é tão engraçada e esperta! Estive com ela agora em Miami, ela tem 91 anos e estava na piscina com a gente bebendo champagne, que ela chama de ‘blush’. Ela conta histórias e sabe exatamente o que quer”, revela.

Sobre seus próximos trabalhos, ela revela que não lhe faltam ideias. “Estou cheia de ideias, sempre será algo íntimo em relação a minha música, mas não quero deixar de me divertir. Não levo nada muito a sério”, disse. Mas já adianta que não tem planos de seguir os passos de sua amiga Rihanna e virar atriz. Segundo Katy, ela não sabe atuar muito bem.

“Acho que eu teria que me dedicar muito, porque eu não seria necessariamente uma boa atriz só por ter desenvoltura em shows diante de milhares de pessoas. Existem atrizes maravilhosas e eu não quero ofendê-las com a minha péssima habilidade. Eu realmente amo fazer música, mas não vou dizer que jamais atuaria, pois às vezes as portas se abrem nos lugares mais improváveis”.

Perguntada sobre que conselho daria às garotas que a tomam como modelo, ela brinca com a responsabilidade de ser um ídolo. “Eu diria para não prestarem muita atenção nos garotos. Mas eu prestei. Então, não sei se daria muitos conselhos”, disse, rindo, antes de assumir um tom mais sério. “Entendo a responsabilidade e que minhas ações afetam pessoas. Não posso agir de forma casual em muitas situações. Mas estou entrando numa outra fase. Estou tentando juntar pedaços para fazer outro disco e ver como essa imagem vai ser formada”, contou, apontando uma possível mudança de tom em sua carreira.

A escolha do look inusitado – um vestido do estilista Valentino, que parece saído de um desenho da Disney – completa sua mensagem, segundo ela conta. “Acho que estou voltando às minhas raízes. Repare no meu cabelo. Ele é muito simbólico pra mim. Estou aqui não pra ser famosa, mas porque quero me expressar através da minhas músicas. Faço musica para mim, não sou uma política, que preciso agradar as pessoas. Não preciso agradar a todos”, concluiu.

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