Atriz da novela Rebelde surpreende Cannes

CANNES O filme “Después de Lucía”, do mexicano Michel Franco, foi um dos destaques das mostras paralelas de Cannes, dominada por bons filmes latinos. Não por acaso, sagrou-se vencedor do prêmio do júri da mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard). Trata-se do segundo filme de Franco, que também exibiu sua estreia, “Daniel e Ana” (2009), há três anos em Cannes.

Tim Roth, presidente do júri da mostra paralela, teria dito ao diretor que seu filme deveria estar na competição principal e levar a Palma de Ouro. “Tim Roth quase me fez chorar”, desabafou Franco, após a premiação.

“Después de Lucía” aborda o bullying sofrido na escola pela personagem da jovem atriz Tessa Ia González, de 17 anos, que participou da novela “Rebelde” e faz apenas seu segundo filme – o primeiro como protagonista, após uma pequena participação em “Vidas Que Se Cruzam” (2008). Ela é uma das boas revelações do festival.

A trama se concentra na relação entre Roberto (Hernán Mendoza) e sua filha Alejandra (Tessa). Ele está muito deprimido após a morte de Lucía, sua esposa, e Alejandra tenta ajudá-lo. Ela sofre todo tipo de perseguições na escola e as suporta sem dizer nada porque não quer trazer mais problemas para o pai.

Em entrevista coletiva, Tessa Ia González explicou que sua personagem “tenta tomar o lugar da mãe e se cala sobre o que ocorre na escola para proteger seu pai e tudo vai se emaranhando, é algo parecido com quando uma pessoa diz uma mentira e tudo se complica”.

A atriz disse que nunca sofreu bullying, mas procurou saber mais sobre os abusos estudantis quando assumiu o papel e ficou estarrecida. “Isto é cada vez mais comum no México e, imagino, em vários outros países. As pessoas acham até normal os adolescentes de molestarem”, apontou.

O cineasta afirmou que, de fato, a história se inspira em fatos reais. “O roteiro do filme é uma mistura de elementos: histórias que estão acontecendo, casos em uma escola que conheço bem e outros que ocorreram com muitos alunos”, declarou Franco. “Nunca disse que ia fazer um filme sobre a violência nas escolas. A violência agora está em toda parte, não apenas nas escolas, mas também no ambiente de trabalho, nas ruas, nas casas”, reconheceu o jovem diretor de 33 anos.

“Filmar e fazer filmes é minha maneira de iniciar um diálogo, de entender o que está acontecendo. O nível de violência e crueldade não é exclusivamente do México nem da América Latina, é sentido de maneira mundial e tento entender a razão”, disse o diretor, citando os casos dos recentes massacres na Noruega e nos Estados Unidos. “Espero que meu filme encontre seu público, pois tem uma mensagem importante”, refletiu. Com a premiação em Cannes, ele já garantiu mais atenção.

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