Festival Lume mobiliza cinéfilos no MA

Começou nesta quinta-feira (14/6) e prosseguirá até o dia 20 o II Festival Internacional Lume de Cinema, realizado na cidade de São Luís (MA). Mais de 100 produções de caráter autoral e independente serão exibidas entre as mostras competitivas, mostras paralelas e retrospectivas, além de outros eventos programados, como palestras, cursos e debates.

“Esperamos que o público compareça e prestigie o festival, que no próximo ano será realizado em outra cidade do país”, avisou Frederico Machado, cineasta e criador do Lume. “Mas isso não nos impede de fazermos uma edição simultânea em São Luís. Vai depender da participação do público”, explicou, praticamente convocando os cinéfilos nordestinos.

Policeman

“Augustas”, “Estradeiros” e “Rânia” são três obras nacionais que se destacam da programação – e que também estão atualmente em exibição no 7º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Outra boa pedida é “Homens com Cheiro de Flor”, de Joe Pimentel: a violência da trama fez com que a produção cearense ficasse reservada à sessões de meia-noite, destinada aos filmes mais “radicais”. O longa chamou a atenção no Cine Ceará do ano passado e houve quem o chamasse de uma mistura de Quentin Tarantino (“Bastardos Inglórios”) e irmãos Coen (“Bravura Indômita”) ambientada no Ceará.

As produções internacionais também merecem uma visita, caso da estilizada animação romena “Crulic – O Caminho para o Além” (Crulic – The Path To Beyond), sobre um homem que foi preso injustamente e morreu numa prisão na Romênia após fazer greve de fome.

Crulic – O Caminho para o Além

“Hermano”, do venezuelano Marcel Rasquin, já foi considerado pelos mais apressados como um novo “Cidade de Deus” ao misturar violência e futebol numa das periferias do país sul-americano. Da mesma forma, o americano Mark Jackson chamou a atenção por alguns lugares que passou com “Without”, seu trabalho de estreia. E não se pode esquecer o polêmico filme sérvio “Clip”, um retrato da juventude 3G embalado por sexo, drogas e música eletrônica.

Vencedores de outros festivais internacionais também estarão presentes, caso de “Policeman”, do israelense Nadav Lapid, premiado no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, e de “As Ondas” (Las Olas), do espanhol Alberto Morais, consagrado Melhor Filme e Melhor Direção no Festival de Moscou.

O Moinho e a Cruz

“O Moinho e a Cruz” (The Mill and the Cross), do polonês Lech Majewski, e vencedor do prêmio de Melhor Longa-Metragem Estrangeiro no Festival Lume do ano passado, foi escolhido para abrir a edição deste ano. “Esse filme do Majewski é genial”, ressaltou Machado. “Nós o escolhemos porque queremos que o público maranhense tenha acesso a este tipo de estética cinematográfica”, explicou. A produção é sueca e conta com Rutger Hauer (“Blade Runner – O Caçador de Androides”) no papel do pintor Pieter Brueghel.

O encerramento, no dia 20/6, ficou por conta do colombiano “Karen Chora no Ônibus” (Karen Llora En Un Bus), de Gabriel Rojas Vera, exibido no Festival de Berlim e do Rio.

Without

Além das mostras, o cinéfilo poderá rever clássicos de um dos mestres da Nouvelle Vague, Claude Chabrol (“A Besta Deve Morrer”), que ganhará uma retrospectiva. Também será possível participar do curso “Gostoso de ver: uma revisão da pornochanchada brasileira”. Ministrado pelo professor e pesquisador Adolfo Gomes, o estudo revisitará um dos mais populares e polêmicos gêneros da cinematografia nacional, contextualizando a situação política, a condição social e a cena cinematográfica do país nos anos 1970.

Mais informações sobre II Festival Internacional Lume de Cinema podem ser acessadas no site oficial.

Clip

+ Leonardo Vinicius Jorge

Leonardo Vinícius Jorge é jornalista, crítico de cinema e autor do livro “12 de Setembro: O Cinema Hollywoodiano Após os Atentados Terroristas que Mudaram o Mundo”.

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