O primeiro longa-metragem da dupla de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, deixou festivais importantes, como Veneza, San Sebastián e Toronto, em transe. “Girimunho” capta espaços, expressões e sentimentos de uma comunidade da região do rio São Francisco a partir do olhar de Bastu, senhora de 83 anos cujo marido amanhece morto.
O falecimento do companheiro da protagonista é o “girimunho” do título (dito popular definidor de um pequeno redemoinho) que dá início à narrativa. O filme é tido por ficção, mas os limites entre realidade e invenção se misturam completamente.
Filmado no pequeno município de São Romão, no Norte de Minas, “Girimunho” é protagonizado por moradores locais interpretando a si mesmos em situações de suas próprias vidas – especialmente Bastu e a batuqueira Maria do Boi.
Helvécio e Clarissa trabalham um arco dramático, a partir de roteiro escrito por Felipe Bragança, mas se permitem incorporar quaisquer detalhes que os fascinem no andamento da produção.
Dessas relações entre realizadores e personagens, emanam imagens rigorosas e afetuosas de pessoas transitando num ambiente marcado por elementos da natureza. Os sons, cuidadosamente trabalhados pela dupla O Grivo, e os enquadramentos precisos do cearense Ivo Lopes Araújo são elementos essenciais na imersão proposta pelo filme – desde a cena de abertura, numa grande festa dos moradores, até os minutos finais, quando “Girimunho” parece atingir certo tom de delírio e sonho.
Apesar da evidente inspiração do projeto no universo do escritor João Guimarães Rosa, de “Grande Sertão: Veredas”, o que fica de “Girimunho” é uma interssemiose (apropriação de outra linguagem na criação de uma obra original) a partir do imaginário de Rosa, sem nunca se render completamente a ele.
Girimunho
(Brasil, 2011)

































