Gigantes de Aço é drama de família com robôs gigantes

Filme de robôs gigantes que brigam entre si, produzido por Steven Spielberg, “Gigantes de Aço” foi gestado sob a sombra inevitável de “Transformers”, cujas cenas de ação provocam dor de cabeça e os momentos dramáticos causam tédio. No entanto, os dois longas nem parecem pertencer ao mesmo subgênero da ficção científica, quanto mais dividir o mesmo produtor.

Se Shawn Levy (“Uma Noite no Museu”) na direção é um nome que ainda não causa muito conforto, basta saber que o produtor Spielberg está de volta aos temas que marcaram sua juventude cinematográfica nos anos 1980 – revisitados também em “Super 8″. A trama é sobre uma família disfuncional e, como se trata de um longa-metragem da Disney, haverá superação.

Baseado no conto “Steel”, escrito por Richard Matheson em 1956 e que já havia virado um episódio de “Além da Imaginação”, a trama se passa na década de 2020, quando os esportes violentos foram banidos, deixando o ex-boxeador Charlie Kenton (Hugh Jackman) desempregado. Para sobreviver, ele se adaptou à nova situação: no lugar de pessoas, robôs controlados à distância entram no ringue para lutar e Charlie peregrina de cidade em cidade com seu robô velho para tentar ganhar alguns trocados – ao som da trilha de Danny Elfman (responsável pelos filmes de Tim Burton) e enquadrado pelo diretor de fotografia Mauro Fiore (de “Avatar”).

O personagem de Jackman não é nenhum exemplo heróico. Bêbado, endividado e ignorante, ele descobre que tem um filho de 11 anos cuja mãe acaba de morrer. Em vez de ficar com a guarda da criança, ele a vende para o marido de sua ex-cunhada, mas vai precisar ficar com o menino por alguns meses até o casal voltar de viagem. É aí que começa sua indesejada redenção.

Juntos, pai e filho encontram num ferro-velho um antigo robô de luta, o inscrevem no campeonato oficial e, contra todas as expectativas, a máquina começa a vencer seus adversários, todos mais desenvolvidos e fortes.

O enredo, é claro, é repleto de clichês e não é preciso muito esforço para adivinhar o que vai acontecer, mas “Gigantes de Aço” se apoia em outras armas: o carisma de Hugh Jackman e do garoto Dakota Goyo (que fez a versão infantil de “Thor” no filme do super-herói), além do tratamento dado aos robôs lutadores.

A comparação é inevitável: “Gigantes de Aço” está muito mais para “Wall-E” do que para “Transformers” justamente porque a produção – enredo, fotografia e trilha sonora – trata seu robô com carinho, como na cena em que a câmera para alguns segundos para contemplar o ser metálico, que repousa desligado: a proposta não é exibir efeitos visuais, já que ele não está em movimento, mas fazer o expectador prestar atenção no personagem.

Diferente do que acontece em todas as produções do gênero, a grande sacada do filme foi não ter dado inteligência artificial às máquinas – elas não pensam, não andam e não lutam sozinhas, são controladas por sistema de voz ou por joystick. Desta forma, os robôs são avatares de seus manipuladores e representam simbolicamente quem os controla: não à toa, “Atom”, o robô de Charlie, é obsoleto porém resistente, enquanto Zeus, o grande campeão do ringue, é tão arrogante quanto sua dona, interpretada pela modelo russa Olga Fonda (“Love Hurts”).

Logo, quando o espectador é levado a torcer para o robô “vira-latas”, ele estará automaticamente torcendo pelo sujeito que não causou uma boa impressão no começo do filme – vendeu o próprio filho! – , mas que pode encontrar a redenção.

Assim como o robô do ferro-velho, o roteiro não é nenhuma perfeição. Os personagens secundários são todos caricatos – é possível identificar os bonzinhos e os malvados só de olhar para eles – e a trama ignora por completo a tristeza do garoto com relação à morte da mãe. Mas são problemas ofuscados pelos efeitos visuais perfeitos e pela grande performance de Hugh Jackman. Além disso, é sempre bom ver a bela Evangeline Lilly (a Kate, da série “Lost”) na tela.

“Gigantes de Aço” também faz uma reflexão sobre a atual popularização do MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês), esporte extremamente sangrento e que relegou o boxe a um papel secundário – o Brasil, aliás, é citado mais de uma vez no filme devido à forte tradição que o jiu-jitsu nacional tem na categoria.

Perto do MMA, o boxe ganha classe e nobreza, e o filme resgata o mesmo charme da frase “voa como borboleta, pica como vespa”, usada para definir o estilo do campeão Muhammad Ali. As homenagens ao boxe se completam com o final, claramente inspirado na cinessérie de Rocky Balboa.

Imagem de Amostra do You Tube


Gigantes de Aço

(Real Steel, EUA, 2011)

Lançamento em DVD e Blu-ray

 ★★★☆☆ 

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Leia também a entrevista:

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+ Leonardo Vinicius Jorge

Leonardo Vinícius Jorge é jornalista, crítico de cinema e autor do livro “12 de Setembro: O Cinema Hollywoodiano Após os Atentados Terroristas que Mudaram o Mundo”.

8 Comentários

  • 8 de janeiro de 2012 | Permalink | Responder

    COMO EEE O NOME DO MENININHOO AAAAAAAAAAAAAAA TO PAIXONADA POR ELE ><

    • Pipoca Moderna Identicon Icon Pipoca Moderna
      9 de janeiro de 2012 | Permalink | Responder

      O nome do ator é Dakota Goyo. Ele também viveu a versão infantil de Thor, num flashback do filme da Marvel.

  • Marcos Identicon Icon Marcos
    11 de dezembro de 2011 | Permalink | Responder

    eu tenho 15 anos e entendo sua critica mais as pessoas n reparam nesses defeito no personagem pq ninquem e perfeito oq mais agrado no filme gigantes de aço foi a sensação de q um robo lixo q niquem esperava q aquele q todos subestimaram era um robo super forte q e espancado no final por zeus da e ele levanta e derruba zeus nossa foi uma sensação incrivel e sei q n sou unico q acho isso.
    queria q vc me dissesse se ele pretende fazer o dois desse filme e queria q vc falase sobre o filme immortal quando sair

    • Pipoca Moderna Identicon Icon Pipoca Moderna
      11 de dezembro de 2011 | Permalink | Responder

      Marcos, planos para a sequência existiram, mas a bilheteria não atingiu as metas estipuladas. Os planos devem ter sido arquivados. Imortais estreia em 23 de dezembro no Brasil. Vc encontra estas e outras informações sobre cinema nas demais sessões da Pipoca Moderna. Experimente explorar o site.

  • 2 de dezembro de 2011 | Permalink | Responder

    eu tenho este filme e to sempre acistindolegal

  • mauro Identicon Icon mauro
    29 de novembro de 2011 | Permalink | Responder

    onde que as cenas de ação dos transformer causa tedio…este cara que escreveu o texto dever ser um bolachão mesmo, nunca leu uma revista em quadrinhos, deve ser um espinho de taquaruçu mesmo…TRANSFORMERS MELHOR FILME.

    • Pipoca Moderna Identicon Icon Pipoca Moderna
      29 de novembro de 2011 | Permalink | Responder

      Melhor filme de que planeta, Mauro? Krypton?

  • Nathália Dara Identicon Icon Nathália Dara
    29 de outubro de 2011 | Permalink | Responder

    Muito bom esse filme, assitir ontem 28/10 no cinema e muito doido..

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