O cinema francês volta a ser principal atração no circuito exibidor brasileiro a partir de sexta, quando começa, simultaneamente em 32 cidades do país, a nova edição do Festival Varilux de Cinema Francês. O evento aumentou seu alcance em 30% em relação ao ano passado e terá 17 longas-metragens inéditos ao longo de uma semana, realizando sua maior versão.
Como é de praxe há alguns anos, a seleção foi feita a partir de filmes com distribuição garantida para o Brasil, mesmo que sem datas definidas. Assim, o festival se torna um trampolim para pré-estreias das mais variadas e um retrato do que o circuito vai receber da produção francesa nos próximos meses.
Intocáveis
Chama atenção que praticamente todos os longas deste ano são de nomes pouco conhecidos do grande público – não há, por exemplo, nenhum François Ozon como em 2011. Mas isto não significa que os filmes sejam obscuros.
Para a abertura, escolheu-se o drama “Intocáveis”, da dupla Olivier Nakache e Eric Toledano, que foi o maior sucesso da França no ano passado: levou aproximadamente 20 milhões de espectadores às salas de cinema e, inclusive, já garantiu remake hollywoodiano.
E Agora, Aonde Vamos
“Intocáveis” lida com a eterna questão das diferenças complementares. No caso, os protagonistas são Philippe, homem rico que, após um acidente, fica paraplégico, e Driss, jovem recém-liberto da prisão e contratado para ser o acompanhante de Philippe. Distintos em quase tudo, os dois vão desenvolver laços de amizade profunda. Sucesso de público, o filme também cativou a crítica e rendeu um prêmio Cesar (o Oscar Francês) ao intérprete de Driss, o ator Omar Sy.
Outra atração bastante badalada do Festival Varilux é “E Agora, Aonde Vamos”, da atriz e diretora franco-libanesa Nadine Labaki. Comédia sobre o poder feminino na sociedade islâmica, o filme venceu o prêmio do público do último Festival de Toronto. Dispostas a impedir que os homens de sua aldeia entrem numa guerra religiosa, as mulheres têm ideias mirabolantes, que vão desde a contratação de strippers até milagres forjados.
O Monge
Entre as curiosidades, destaca-se “O Monge”, dirigido por Dominik Moll, cineasta nascido na Alemanha e formado em audiovisual em Nova York. Apesar de não ser necessariamente um nome incensado, Moll faz filmes quase sempre muito intrigantes, a exemplos de “Harry Chegou para Ajudar” (2000) e “Lemming – Instinto Animal” (2004), ambos com boa circulação em festivais internacionais. “O Monge” tem Vincent Cassel como Ambrósio, figura exemplar de um mosteiro de capuchinhos na Espanha do século XVII. A chegada de um noviço provocador vai abalar suas convicções e colocá-lo numa batalha interna com seus sentimentos.
Ator de destaque na França, Daniel Auteuil dirige e atua em “A Filha do Pai”. Ele é um rosto conhecido por papéis em “Caché” (2005), “Pintar ou Fazer Amor” (2004) e “O Closet” (2000), e estreia na direção com este melodrama de guerra, inspirado em livro de Marcel Pagnol.
Polissa
Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, “Polissa” acompanha o cotidiano de uma divisão policial encarregada de crimes contra menores, cheio de relatos chocantes. O filme é o terceiro trabalho de direção da belíssima atriz de apenas um nome Maiween, protagonista de filmes díspares como “A Coragem de Amar” (2005), do mestre Claude Lelouch, “Alta Tensão” (2003), terror de estreia de Alexandre Aja, e “O Quinto Elemento” (1997), blockbuster de ficção científica de Luc Besson.
A programação eclética também destaca a animação “Titeuf”, do suiço Philippe Chappuis, conhecido como Zep, que será ótima porta de entrada para o público brasileiro conhecer um dos personagens mais populares dos quadrinhos da língua francesa, o garoto curioso do título, que insiste em entender assuntos ainda bem precoces. São, ao todo, 17 filmes que incluem ainda “Adeus Berthe ou o Enterro da Vovó”, de Bruno Podalydes, “Alyah”, de Elie Wajeman, e “La Pirogue”, de Moussa Touré, exibidos no festival de Cannes deste ano. Confira a programação completa no site oficial do evento.
Titeauf
































