Festival forumdoc.bh completa 15 anos com exibição de 100 filmes

Celebrando seus 15 anos de realização, o forumdoc.bh – Festival do Cinema Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte inicia nesta segunda (21/11) – e vai até o dia 4 de dezembro – uma vasta programação que passará por quase toda vertente possível do cinema de não-ficção. O chamariz deste ano é a seção A Câmera e o Animal, organizada pelo professor e etnólogo Paulo Maia.

“É uma espécie de retrospectiva de muitas coisas que já foram exibidas no festival ao longo dos anos, desta vez alinhadas nessa categoria da relação do homem com o animal e da natureza com a cultura e a sociedade, temas clássicos da antropologia” explica Maia.

Nanook, o Esquimó

Títulos representativos dessa vertente foram escolhidos, caso do clássico absoluto e referencial “Nanook, o Esquimó” (1922), do norte-americano Robert Flaherty. Outros são “Drifters” (1929), de John Grierson, e “Um Leão Chamado Americano” (1968), de Jean Rouch. “Nosso objetivo é propor um debate transdisciplinar e transespecífico, abarcando o cruzamento entre diversos temas que acabam se encontrando dentro dos próprios filmes”, completa Paulo Maia.

Para acompanhar a seleção de O Animal e a Câmera, haverá seminários e conferências, no intuito de colocar em debate os filmes e suas relações com os temas e as estéticas que abordam e utilizam. “É tudo uma tentativa de fundamentar o que chamei de inclinação metafísica do homem pela caça. Afinal, o cinema também se seduziu muito pelas formas de representar e documentar a caça e a pesca”, diz o curador.

Wiñay Qman Pacha

A edição 2011 do forumdoc.bh também pretende colocar em pauta as realizações audiovisuais de povos indígenas em dois países-chave da América Latina – Bolívia e México.

Como aponta Júnia Torres, uma das coordenadoras do forumdoc.bh, as facilitações tecnológicas permitiram possibilidades infindáveis ao aprendizado a à produção. “Escolhemos esses dois países porque eles têm processos mais continuados de formação e realização, ainda que ambos pratiquem isso de formas diferentes”, diz ela.

Suma Qamaña

O México, explica Júnia, tem um “videoativismo muito forte, e a ação política está associada ao registro e à mobilização”. No caso da Bolívia, os meios de produção são utilizados menos no sentido sociológico e muito mais como maneiras de trabalhar a dramaturgia e os cânones de gênero do cinema, como drama e terror. “Mas claro que, dentro dessa apropriação de elementos reconhecidos de linguagem, existe também um movimento político de inserção”, frisa ela.

Além ainda das mostras competitivas nacionais e internacionais, completam a centena de filmes do festival a retrospectiva de Fernando Coni Campos (1933-1988). Importante e pouco conhecido, o diretor nascido na Bahia terá alguns de seus raros trabalhos exibidos, como “Viagem ao Fim do Mundo” (1968).

Viagem ao Fim do Mundo

Cineasta, artista plástico e escritor, Fernando Coni Campos foi escolhido para ganhar retrospectiva por ser, nas palavras do curador Ewerton Belico, um dos “mais invulgares cineastas brasileiros, cuja recepção foi, até o momento, incipiente, devido principalmente à sua morte precoce”. Serão exibidos cinco longas e cinco curtas de Coni.

O forumdoc.bh acontece no campus da UFMG e no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, com entrada franca. Confira programação no site oficial.

+ Marcelo Miranda

Marcelo Miranda é crítico de cinema do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, foi curador do Festival de Brasília 2010 e é colunista da revista eletrônica Filmes Polvo. Você pode acompanhar suas matérias também no blog do Polvo.

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