Festival de Gramado termina em lágrimas e unanimidades

A 40ª edição do Festival de Gramado teve um final meloso e politicamente correto na noite de sábado (18/8). De forte apelo popular, a comédia “Colegas”, dirigida por Marcelo Galvão e estrelada por portadores da Síndrome de Down, foi o grande vencedor do evento, premiado com os Kikitos de Melhor Filme e Melhor Direção de Arte, além de render um prêmio especial para seu elenco. Ao receber seu troféu especial, o trio formado por Breno Viola, Rita Pokk e Ariel Goldenberg, atores e portadores da Síndrome de Down, emocionaram-se com o reconhecimento e choraram muito, levando o público a embarcar numa grande catarse de palmas e lágrimas.

O final feliz de “Colegas” não impediu que o filme favorito da crítica, “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho, fosse o mais premiado. Foram quatro prêmios no total, mas apenas dois do júri oficial: Melhor Direção e Desenho de Som. O filme, porém, ganhou o Prêmio da Crítica e do Júri Popular, que curiosamente não é dado pelos espectadores, mas por uma comissão composta por leitores de jornais de todo o país.

Kleber Mendonça Filho, diretor de O Som ao Redor, com Arnaldo Jabor

Os dois dramas eram inéditos no Brasil, mas “O Som ao Redor” já tinha sido premiado em festivais internacionais, ressaltando sua qualidade. Justamente o contrário dos dois outros destaques da distribuição de Kikitos. Tanto o documentário “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto” quanto o filme uruguaio “Artigas – La Redota” já tinham passado por outros festivais brasileiros sem levar nenhum prêmio sequer. O festival Cine PE até se saiu com um curioso prêmio para Jorge Mautner, o cantor, não o filme, sabe-se lá porquê. A insistência destes filmes em disputar diferentes festivais finalmente rendeu frutos.

Pedro Bial, que não estava em Gramado, foi escolhido Melhor Roteirista pelo “Filho do Holocausto”, e seu filme ainda levou dois prêmios técnicos. Não deixa de ser muito curioso que um documentário tenha vencido prêmios de Roteiro e Fotografia, concorrendo com obras de ficção. Vale se questionar: ou as obras dramáticas tinham histórias muito fracas e mal-fotografadas ou o documentário é um fenômeno que os festivais anteriores, nos quais concorreu, solenemente ignoraram.

César Charlone, diretor de Artigas – La Redota

Já “Artigas – La Redota” promoveu uma verdadeira lavada entre os prêmios estrangeiros, vencendo 5 troféus de um total de 7 na categoria, incluindo Melhor Filme, Diretor (César Charlone) e Ator (Jorge Esmoris). Exibido no Festival do Rio, Mostra de São Paulo e no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, o filme de Charlone (diretor de fotografia de “Cidade de Deus”) finalmente encontrou um festival para se consagrar.

De fato, Gramado era o palco ideal para a produção, que tem qualidades, entre elas a bela fotografia – curiosamente, não premiada. A proximidade da fronteira uruguaia e a história compartilhada entre a antiga Província Cisplatina e o Rio Grande do Sul tornam o épico histórico mais ressonante entre os gaúchos, justificando a louvação.

Breno Viola, Rita Pokk, Ariel Goldenberg e o diretor Marcelo Galvão, de Colegas

Também houve unanimidade entre os curtas brasileiros, com o baiano “Menino do Cinco”, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, ganhando seis Kikitos. O filme conseguiu a façanha de vencer os troféus do júri oficial, popular, da crítica e ainda o prêmio de aquisição do Canal Brasil.

Por sua vez, os Kikitos de interpretação acabaram na mãos de Marat Descartes (“Super Nada”) e Fernanda Vianna (“O Que Se Move”).

Os premiados da 40ª edição do Festival de Gramado

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Confira a lista dos vencedores do Festival de Gramado

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Longa-Metragem Brasileiro

Melhor Filme: “Colegas”, de Marcelo Galvão
Melhor Diretor: Kleber Mendonça Filho, “O Som ao Redor”
Prêmio do Júri Popular: “O Som ao Redor”
Prêmio Especial do Júri: os atores Breno Viola, Rita Pokk e Ariel Goldenberg, por “Colegas”
Melhor Ator: Marat Descartes, “Super Nada”
Melhor Atriz: Fernanda Vianna, “O Que Se Move”
Melhor Roteiro: Pedro Bial, “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Fotografia: Gustavo Hadba, “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Montagem: Leyda Napoles, “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Direção de Arte: Zenor Ribas, “Colegas”
Melhor Trilha Musical: André Abujamra, “Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!”
Melhor Desenho de Som: Kleber Mendonça Filho e Pablo Lamar, “O Som ao Redor”

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Prêmio da Crítica

Melhor Curta-Metragem: “Menino do Cinco”, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira
Melhor Longa Estrangeiro: “Artigas, La Redota”, de César Charlone
Melhor Longa Brasileiro: “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho

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Longa-Metragem Estrangeiro

Melhor Filme: “Artigas, La Redota”
Melhor Direção: César Charlone, “Artigas, La Redota”
Prêmio do Júri Popular: “Artigas, La Redota”
Menção Especial: Direção de Arte de “Artigas, La Redota” e Trilha Sonora de “Vinci”
Melhor Ator: Jorge Esmoris, “Artigas, la Redota”
Melhor Roteiro: Eduardo del Llano Rodríguez, “Vinci”
Melhor Fotografia: Boris Peters e Larry Peters, “Leontina”

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Curta-Metragem Brasileiro

Melhor Filme: “Menino do Cinco”
Melhor Direção: Gilson Vargas, “Casa Afogada”
Prêmio do Júri Popular: “Menino do Cinco”
Prêmio Aquisição Canal Brasil: “Menino do Cinco”
Prêmio Especial do Júri: “A Mão que Afaga”, de Gabriela Amaral Almeida
Melhor Ator: Thomas Vinícius de Oliveira, “Menino do Cinco”
Melhor Atriz: Sabrina Greve, “O Duplo”
Melhor Roteiro: Marcelo Matos de Oliveira, “Menino do Cinco”
Melhor Fotografia: Bruno Polidoro, “Casa Afogada”
Melhor Montagem: Gustavo Forte Leitão, “Di Melo – O Imorrível”
Melhor Direção de Arte: Iara Noemi e Gilka Vargas, “Casa Afogada”
Melhor Trilha Musical: Marcos Azambuja, “Funeral à Cigana”
Melhor Desenho de Som: Gabriela Bervian, “Casa Afogada”

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