Com uma fala sedutora, jeito latino e olhar de bichinho abandonado, o Gato de Botas dublado por Antonio Banderas em “Shrek 2” (2004) roubava a cena cada vez que aparecia, tanto que recebeu destaque nas sequências e agora ganhou um filme próprio. E para divulgar a estreia do longa que leva o nome do personagem, o próprio Banderas, acompanhado da atriz mexicana Salma Hayek, do diretor Chris Miller e do produtor Jeffrey Katzenberg estiveram reunidos com a imprensa no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, neste fim de semana.
O ator apressou-se em avisar que “Gato de Botas” não é uma nova sequência das histórias do ogro verde e mal-humorado, e sim uma história independente. “Alguns podem achar que se trata de ‘Shrek 5’, mas não é. É um filme fresco, diferente, e tem sua própria personalidade e seu próprio estilo”, explicou Banderas. E exagera: “Tem mais de Sam Peckinpah e Sergio Leone do que uma continuação de ‘Shrek’”.
A paixão na fala do espanhol é o resultado da aproximação com o personagem, já que essa é a quarta vez que o ator o interpreta. Além disso, o produtor Jeffrey Katzemberg contou que Banderas imaginou uma aventura solo do gato já na primeira vez que o dublou, ainda em “Shrek 2”. “Agora que fizemos o filme, ele já pediu para fazer o segundo”, revelou o produtor, presidente da Dreamworks Animation.
O diretor Chris Miller, que havia trabalhado nos dois primeiros filmes do ogro verde e dirigiu o terceiro capítulo, também ressalta que, exceto pelo nome, o felino não guarda mais qualquer semelhança com o personagem do conto de fadas criado pelo escritor fancês Charles Perrault. “Ele já era diferente em sua primeira aparição, muito por conta da performance de Antonio, que levou o personagem para uma direção própria. Por isso não nos preocupamos com a história original. Este Gato de Botas é um personagem único graças à voz de Banderas”, explicou o diretor.
A grande sacada do ator espanhol, ainda em “Shrek 2”, foi combinar o herói aventureiro que ele tinha interpretado em “A Máscara do Zorro” (1998) com um jeito malandro e sedutor de um animal aparentemente dócil – e isso ficava mais evidente quando ele usava seu charme e enormes olhos para conquistar os adversários. “Desde o começo, minha intenção foi criar um contraste que desse o tom certo da comédia. Então resolvi dar uma voz grave para aquele corpinho tão pequeno e deu certo”, confessou Banderas.
A história de “Gato de Botas” revela que o felino sedutor cresceu com o menino com formato de ovo Humpty Dumpty (personagem da literatura anglófona, dublado por Zach Galifianakis, de “Se Beber, Não Case”) e precisou fugir de sua cidade depois de ser acusado de um roubo que não cometeu. Após reencontrar o amigo, sai em busca da Galinha dos Ovos de Ouro e, no meio do caminho, topa com a gatinha Kitty Pata Mansa.
“Ela é feminista, uma heroína, e salva o Gato de Botas dos apuros. Mas na vida real é assim também, são as mulheres que salvam os homens de tudo”, brincou Salma Hayek, acreditando que a personagem poderá servir de modelo e inspiração para as garotas. A atriz também contou que se identifica com muitas das características da gatinha, como o humor, o charme e, principalmente, a habilidade para a dança – no filme, os felinos realizam um duelo de coreografias.
Foi a primeira vez Salma participou da dublagem de um desenho animado, mas a mexicana confessou que não teve problemas para compor sua personagem, afinal o diretor incentivou os improvisos e ela e Banderas já têm uma relação de amizade antiga. “As improvisações ficaram muito divertidas. Muitas delas foram parar no filme e foi algo que contribuiu para a relação que a minha gatinha tem com esse gato aqui ao lado”, disse, apontando para Banderas, com quem já trabalhou em “El Mariachi” (1992), “A Balada do Pistoleiro” (1995), “Pequenos Espiões” (2001), “Frida” (2002) e “Era Uma Vez no México” (2003).
As dublagens foram o primeiro processo do filme e, para ajudar na composição dos personagens, o diretor filmou todas as sessões – desta forma, os desenhistas utilizariam as expressões faciais e corporais do elenco. Sobre esse processo, Banderas lamentou não ter realizado a dublagem de “Gato de Botas” em português – além do inglês, ele também fez as versões em espanhol e italiano. “Não domino o idioma e não seria uma boa ideia me aventurar”, preveniu o espanhol, que foi completado pela colega: “Da próxima vez, vamos dublar em português com o gato dançando samba”, sugeriu Salma.
A brincadeira da mexicana não é gratuita. O Rio de Janeiro, e o Brasil de um modo geral, tem recebido atenção especial de Hollywood, tanto na frente quanto atrás das câmeras (basta lembrar de “O Incrível Hulk”, “Os Mercenários”, “Rio”, “Velozes e Furiosos 5”, “A Saga Crepúsculo: Amanhecer”) e o chefão da Dreamworks não nega. “O Brasil tem um enorme potencial de crescimento. As oportunidades são imensas e é por isso que estamos aqui”.
“Gato de Botas” foi realizado para ser assistido preferencialmente em 3D e Katzenberg garante que o recurso não foi escolhido apenas para render alguns trocados a mais nas bilheterias. “A evolução desta tecnologia é impressionante. Antigamente, quando se filmava em 3D, a qualidade não era tão boa e a plateia se sentia traída. Hoje, Hollywood entendeu que precisa respeitar o público, e não apenas apresentar um filme bonito, mas oferecer uma qualidade 3D excepcional”.
O diretor Chris Miller, que trabalha pela primeira vez com a tecnologia, também afirma que o recurso serviu à narrativa. “Queríamos o 3D desde o começo. Tem tudo a ver, pois é um filme dinâmico. Rodar em terceira dimensão tem muito mais força. É uma ferramenta excelente”. O “Gato de Botas” vai chegar ao Brasil em 9 de dezembro com cópias 2D, 3D e até 3D-IMAX.

































