A atriz americana Elaine Stewart faleceu na segunda (27/6) em sua casa em Beverly Hills, Los Angeles, aos 81 anos. Um dos grandes símbolos do glamour de Hollywood na década de 1950, Elaine foi modelo fotográfico e surgiu na mídia vencendo um concurso de beleza, promovido por uma revista. Teve uma trajetória meteórica, de pin-up a starlet hollywoodiana, que lhe colocou nos cenários de alguns dos filmes mais famosos da velha fábrica de sonhos.
Nascida Elsy Steinberg, a modelo começou a aparecer em filmes como figurante em 1952, a partir de “O Marujo Foi na Onda”, ao lado de Jerry Lewis e Dean Martin, e logo em seguida no clássico “Cantando na Chuva”, com Gene Kelly. De figurante sem falas, foi ganhando diálogos e se firmando cada vez mais nas telas. Entre 1952 e 53, trabalhou em nada menos que 12 filmes, fotografou para a Playboy e chegou à capa da revista Life.
A pin-up dos anos 1950
Os papéis eram pequenos, mas as produções cada vez ganhavam mais importância. Foi Ana Bolena em “A Rainha Virgem” (1953), de George Sidney, a única mulher no drama militar carregado de testosterona “‘Dá-me Tua Mão” (1953), de Richard Brooks, e, meses após a estreia, já podia ser vista numa obra-prima como “Assim Estava Escrito” (1952), de Vincente Minnelli, sobre os bastidores do cinema.
Sua cena tinha um minuto de duração. Ela descia a escada, pé descalços, martini na mão, vestido apertado. Era a própria imagem do sexo, deduzido pelo olhar de Lana Turner, diante de um Kirk Douglas safado. Não precisou mais que isso para Hollywood ficar em polvorosa, querendo contratar a morena misteriosa que a MGM estava escondendo. No ano seguinte, ela faria o pobre Mickey Rooney implorar sua atenção na comédia “É Melhor Ser Pobre” (1953), de Don Weis.
Com Mickey Rooney, em É Melhor Ser Pobre
Vincente Minnelli voltou a escalá-la em seu filme seguinte, outra produção famosa, “A Lenda dos Beijos Perdidos” (1954), um musical em que ela desfilou sem cantar, mas que lhe rendeu ainda mais destaque, no quarto papel mais relevante da trama.
Conseguiu virar protagonista em filmes baratos de ação, como “As Aventuras de Haji Baba” (1954), de Don Weis, em que viveu uma princesa sexy, e nos westerns “A Passagem da Noite” (1957), com James Stewart, e “Missão Audaciosa” (1958), com Victor Mature. Mas sua trajetória foi tão efêmera quanto sua beleza.
No material publicitário do filme Dá-me Tua Mão
As críticas gastavam adjetivos com sua aparência: “estonteante”, “voluptuosa”, “tentadora”. Não com seu talento. Com a proximidade dos 30 anos, deixou de ser a starlet promissora da capa da Life e viu lescapar a chance de estrelato. Mesmo assim, ainda se destacou como uma mulher adúltera no drama da Universal “Epílogo de uma Sentença” (1957), uma mulher de bandido em “O Rei dos Fascínoras” (1960) e a mulher de um homem radioativo em “O Mais Perigoso dos Homens” (1961), seu último filme americano – um trash atômico.
A fama conseguida nos anos 1950 ainda lhe valeu convites para passar o carnaval no Rio – onde precisou ser operada de apendicite – e a filmar na Itália – onde encerrou a carreira cinematográfica com dois longas em 1961 e 1962.
Com Van Johnsson e Gene Kelly, em A Lenda dos Beijos Perdidos
O fim da carreira, após cerca de 20 filmes, foi marcado por um casamento com o figurante Bill Carter (“O Planeta dos Desaparecidos”), em 1961, de quem se divorciou em 1964 para se casar com o produtor de TV Merrill Heatter (do famoso “The Hollywood Squares”, que Sílvio Santos imita até hoje aos domingos).
Ela ainda apareceu em algumas séries, como “Bat Masterson” (1960), “A Lei de Burke” (1963) e “Perry Mason” (1964), antes de desistir completamente de ser atriz para virar mãe e dona de casa. Oito anos depois, experimentou um breve retorno, após o marido-produtor escalá-la como apresentadora de dois game shows consecutivos, “Gambit” (1972) e “High Rollers” (1974).
A apresentadora de games shows dos anos 1970
Seu sumiço nos anos seguintes deu início a uma lenda urbana. Ela teria sido atacada por cães selvagens e ficado deformada, vivendo o resto da vida trancada em sua mansão em Beverly Hill, escondendo as marcas para permanecer sempre lembrada por sua grande beleza.
Essa história surgiu porque ela compartilhava caminhadas com seus cachorros e o amigo e vizinho James Stewart, que foram interrompidas com o adoecimento e morte do ator nos anos 1990. Na verdade, ela apenas permaneceu cuidando da família, casada por 47 anos com Merrill Heatter, com quem teve dois filhos.

































