E aí, Comeu? quer abocanhar bilheterias

No carnaval de 2009, recém-separados, Bruno Mazzeo (“Cilada.com”) e Emilio Orciollo Neto (“Paraísos Artificiais”) foram a Salvador “caçar” garotas como nos bons e velhos tempos de solteiros, mas descobriram que algumas coisas mudaram.

“Fomos os únicos a ir para lá e não comer ninguém. Fiquei com uma menina e liguei para ela no dia seguinte e ainda fui chamado de grudento. Telefonar costumava ser um gesto romântico”, declarou Mazzeo, durante entrevista coletiva realizada em São Paulo para divulgar “E Aí, Comeu?”, projeto germinado na fatídica viagem.

Ao perceber que tinha deixado a juventude para trás e que já não se encaixa no mundo dos solteiros fanfarrões, Mazzeo lembrou-se da peça homônima vencedora do prêmio Shell e escrita por Marcelo Rubens Paiva, que ele assistiu e adorou nos anos 1990, e percebeu que ela se encaixava com perfeição para descrever o que estava sentindo. Decidido a levá-la aos cinemas, o ator e produtor então chamou os amigos Marcos Palmeira, Dira Paes, Tainá Müller, Laura Neiva, Juliana Schalch, Seu Jorge e Murilo Benício, além Orciollo Neto, e o resultado chega aos cinemas brasileiros no dia 22 de junho.

Dirigido por Felipe Joffly (“Ódiquê”), o longa conta a história de três grandes amigos em diferentes momentos de suas vidas pessoais. Mazzeo interpreta Fernando, um arquiteto que acaba de ser abandonado pela esposa Vitória (Tainá Muller) e começa a investir numa jovem inocente (Laura Neiva). Suas dúvidas sobre o que querem as mulheres são compartilhadas entre dezenas de copos de cerveja com os amigos de infância Honório (Palmeira), jornalista casado e do estilo machão, e o escritor garanhão e solteiro convicto Fonsinho (Orciollo Netto).

Mas com um título como esse, somada à premissa parcial, não poderia soar ao público feminino como um filme machista? Mazzeo, que também é produtor, discorda. “Tem certas coisas que a gente tem que parar de ficar em cima do muro. A gente queria deixar a mulher espiar pela fechadura o que a gente fala em uma mesa de bar. Não é machista, apenas verdadeiro”, rebateu o ator, durante a entrevista.

A mesa do bar, como sugeriu Dira Paes (“Baixio das Bestas”), serve como terapia para aqueles sujeitos desorientados. “Os protagonistas não são vilões nem mocinhos, eles estão totalmente desarmados. É para rir e se emocionar com as situações que fazem parte da vida de todo mundo”, disse a atriz, que interpreta Leila, esposa de Honório e que atrai olhares luxuriosos por onde passa – o que deixa seu marido louco de ciúme.

A atriz garante que, na vida real, sua beleza não atrapalha seu casamento, que já dura sete anos, e acredita que a monogamia é possível, desde que haja um bom diálogo entre marido e mulher. “O casal precisa entrar num consenso. É hipocrisia dizer que você nunca passou por isso (traição) ou nunca pensou nisso. Mas é uma discussão que tem que ser privada, não pública”, afirmou.

Atualmente divorciado, Palmeira confessou que se divertiu com as situações propostas e discutidas na mesa do bar durante as filmagens. “Eu já estive naquelas situações todas. Já estive casado querendo separar e separado querendo casar. Acho que as pessoas vão sair da sala pensando, valorizando mais seus relacionamentos”, sugeriu.

Foi, por sinal, o que aconteceu com Mazzeo. Aos 35 anos, o ator se avalia mais “calmo” no que refere-se aos impulsos de solteirice e, apesar de não confirmar se está namorando ou não, diz estar pendendo para relacionamentos mais estáveis. “Já tive minhas épocas de solteiro, mas gosto mesmo é de dividir bons e maus momentos com uma só pessoa”, declarou.

O grande compromisso de Mazzeo é, na verdade, com o próprio filme. “Cilada.com”, seu longa anterior, também foi etiquetado como machista em algumas críticas, mas o público nem ligou e a comédia atingiu ótimos 3 milhões de espectadores. Os produtores, agora, esperam repetir o feito com “E Aí, Comeu?”, até porque 2012 já chegou à sua metade e nenhum longa nacional alcançou a marca de 1 milhão de ingressos vendidos.

“Quanto mais pessoas assistirem, melhor, claro, mas não encaro essa responsabilidade de mercado, de ser o primeiro a levar esse número às salas. Se chegar, ótimo”, despistou Mazzeo. Mas é evidente que os envolvidos estão apostando alto na comédia, que será lançada em 550 salas em todo o país – um número digno de blockbuster americano.

Até porque, de fato, seus adversários serão as grandes produções hollywoodianas que chegarão aos cinemas nos próximos finais de semana. “Vamos encarar aranhas e morcegos de frente”, ironizou o produtor Augusto Casé, referindo-se a “O Espetacular Homem-Aranha”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” e “Sombras da Noite”, novo trabalho de Tim Burton.

O cuidado com “E Aí, Comeu?” é tão grande que o longa passou por sessões-teste, uma técnica muito utilizada em Hollywood para saber a opinião prévia do público ao trabalho. Baseados nos resultados, os produtores costumam fazer alterações para que o longa possa agradar ao maior número de espectadores. Foi o que aconteceu com “E Aí, Comeu?”.

“Quando eu e o Augusto (Casé) assistimos ao filme na tela grande, notamos algumas arestas a serem aparadas”, contou Mazzeo. “O engraçado é que o resultado do teste de audiência bateu com o que pensávamos, então fomos para a ilha de edição melhorar as coisas.”

“E Aí, Comeu?” também presta homenagem a Chico Anysio, falecido em março deste ano. Mazzeo convidou seu pai para estrelar os três últimos filmes que ele produziu, mas o humorista não pôde comparecer às filmagens por conta dos problemas de saúde. “Fizemos algo que tivesse a ver com o filme e a ligação que encontramos foi o fato de ele já ter vivido tantas experiências amorosas, tantos casamentos, tantos filhos”, explicou o ator.

O resultado poderá ser conferido nos cinemas brasileiros no dia 22/6.

+ Leonardo Vinicius Jorge

Leonardo Vinícius Jorge é jornalista, crítico de cinema e autor do livro “12 de Setembro: O Cinema Hollywoodiano Após os Atentados Terroristas que Mudaram o Mundo”.

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