Documentarista tenta entender o filho através de uma câmera

VENEZA Exibido na mostra Horizontes, “Photographic Memory” é o novo documentário de Ross McElwee (“Bright Leaves”), professor de cinema de Harvard e diretor já premiado em Cannes e Sundance, que costuma sair filmando todos os momentos de sua própria vida. Aqui, resolve filmar sua relação complicada com o filho, Aidan. Desde os tenros momentos da infância, registrados em vídeo numa paz absoluta, até os atos de rebeldia da adolescência.

A ironia é que apesar de o filho claramente se sentir um pouco chateado com aquela filmagem toda em sua vida, ele mesmo acabou por chegar na adolescência mexendo com direção, fazendo filmes, registrando vários momentos de sua vida com os amigos. Além disso, ele trabalha com muitas coisas em mídia, faz camisas, tem o próprio site e, sintoma de sua geração, fica o tempo todo em redes sociais, celulares, aplicativos, computadores, etc.

É isso, basicamente, o que o pai não consegue entender. Existem cenas típicas do conflito de gerações, quase encenadas de tão óbvias: ele tentando conversar com o filho e este ocupado no computador. Os dois ficam brigando tanto (além do uso do filho de drogas e álcool) que Ross decide se por no lugar do filho.

Para isso, abre seus diários, revê suas fotos e resolve voltar à França, onde passou um ano na juventude, para reencontrar o antigo chefe e a ex-namorada.

No retorno a casa, parece que tudo se resolve: o filho diz que vai fazer faculdade de cinema (antes dizia que faculdade não era pra ele), e que acordou com a ideia de fazer um filme – ele acorda, bebe, sai pra praia e começa a correr. Mas, no fundo, nada mudou. Afinal, a frustração é parte integral da paternidade.

Talvez tenha sido tudo uma trajetória de autodescobrimento para Ross. A narrativa é fraca, e por vezes se utiliza de muitos clichês.

+ Mateus Nagime

Mateus Nagime é estudante de cinema na UFF e atualmente faz intercâmbio na Université Paris 8. Escreve críticas de cinema desde 2002 para jornais e sites, já fez vários blogs, mas agora vai parar em O Raio Verde (parece). É aficcionado por listas, de tudo quanto é tipo, e também por esportes, sobre o qual escreve no blog Além das Olimpíadas.

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