VENEZA “Damsels in Distress”, do diretor Whit Stillman, afastado dos cinemas desde “Os Últimos Embalos da Disco” (1998), fechou o Festival de Veneza, mas não é, por definição, o tipo de filme que se esperaria encontrar nesse tipo de evento. Trata-se de uma comédia sobre fraternidades universitárias.
Mas, nas palavras de Stillman, uma empreitada “mais refinada” que outros exemplares do gênero, cujos principais representantes ainda são os icônicos “O Clube dos Cafajestes” (1978) e “Porky’s” (1982). O diretor vê “Damsels in Distress” como uma intersecção bizarra entre a autora Jane Austen (do clássico “Orgulho e Preconceito”) e os filmes recentes de Judd Apatow (de “Ligeiramente Grávidos” e “O Virgem de 40 Anos”).
O longa é centrado em personagens femininas, estudantes universitárias interpretadas por Greta Gerwig (“Arthur – O Milionário Irresistível”), Megalyn Echikunwoke (série “The 4400″), Carrie MacLemore (série “Gossip Girl”) e Analeigh Tipton (série “Hung”), que pretendem revolucionar o campus dominado por homens quase neandertais – entre eles Adam Brody (“Pânico 4″). É a deixa para que o filme, uma comédia por definição, também englobe uma boa dose de discussões e crise existencial.
“Os anos universitários causam grande trauma a muitas pessoas”, explicou Stillman. “Há muita depressão, por ser ou não ser capaz de encontrar o seu próprio caminho. E muita gente sai dos trilhos”, completou.
Ele comentou que o filme tem um quê de autobiográfico, refletindo sobre os seus dias de estudante, mas acrescentou, também, que a vida nas faculdades de hoje é um tanto diferente do que era em seus tempos. “Na minha época de estudante, tudo era definido socialmente, enquanto hoje em dias as pessoas estão mais soltas e se divertindo a valer”, disse Stillman. Logo, o filme concilia essa evolução à visão do cineasta.
Stillman declarou que é ótimo encontrar um público ainda interessado em seu trabalho mesmo após um hiato de 13 anos – mais tempo do que a carreira completa de muitos membros do elenco.
Ainda assim, os jovens atores de “Damsels in Distress” demonstram uma afinidade com seus filmes realizados na década de 1990, como “Metropolitan” (1990) e “Barcelona” (1994), que ele descreve como predecessores do “mumblecore” – movimento do cinema independente americano, que concebe filmes sobre os jovens adultos de classe média, recém-inseridos na vida em sociedade, em que se discute o cotidiano. Elementos que servem muito bem à proposta de “Damsels in Distress”.
O próximo projeto do diretor pode não demorar mais de uma década para se concretizar. Stillman revelou suas intenções de rodar “Dancing Mood”, filme cogitado desde 2008 sobre o cenário da música gospel na Jamaica entre 1962 e 1966. “Tentarei rodá-lo por meios tradicionais e não deu em nada, mas usarei meus próprios recursos se for preciso”, declarou. Como o cinema já comprovou em inúmeras ocasiões, não é preciso mais do que um cineasta determinado e uma câmera na mão para transformar sonhos em realidade.































