Quem está preocupado com o fim do mundo em 2012 (segundo uma teoria inspirada no calendário maia) deve abrir os olhos: eventos sobrenaturais podem chegar um pouquinho antes. Mais precisamente nesta sexta, dia 11 de novembro de 2011. Ao menos é o que o diretor Darren Lynn Bousman (“Jogos Mortais 2”) propõe em “11-11-11”, seu novo filme que estreia na data-título profética.
A história acompanha um escritor americano viajando à Espanha para se recuperar da morte da mulher e do filho, mas lá acaba descobrindo que o algarismo 11 serve de veículo para mensagens de forças ocultas. Se a sinopse parece forçada, o cineasta garante que escreveu o roteiro inspirado numa crença real. “O fenômeno 11-11 é sobre espíritos guardiões e a ideia é baseada num livro religioso. Há pessoas que acreditam em seres chamados de ‘intermediários’, que vivem entre o nosso mundo e o deles, e que utilizam o número 11 para nos contatar”, explica Bousman.
Quem lhe apresentou a ideia foi o produtor Wayne Rice e, para provar sua suposta veracidade, sugeriu que ele pesquisasse por conta própria o assunto. “Então entrei no Google e digitei ‘11-11’, e não pude acreditar na quantidade de sites dedicados ao fenômeno”, conta o diretor. Jogada de marketing ou não, Bousman também vem anunciando durante as entrevistas para divulgar o filme que certos “fenômenos” foram relatados durante as filmagens.
“Quando eu mesmo ouço o que digo, sei que soa loucura, mas é verdade. Temos cerca de duas horas de material com coisas estranhas acontecendo no set. Quando comecei o filme, eu realmente não acreditava em muita coisa, mas minha opinião sobre o sobrenatural mudou completamente”, garante o diretor, que confessa ter buscado referências em clássicos como “O Exorcista” (1973), “A Profecia” (1976) e “O Bebê de Rosemary” (1968) – obras que utilizam o cristianismo como pano de fundo.
Não por acaso, a história se passa na Espanha, país tradicionalmente católico, cuja influência da Igreja pode ser encontrada em todos os lugares, inclusive em sua arquitetura, repleta de catedrais góticas. “Eu sempre quis fazer um filme baseado na religião. É assustador pensar nas implicações da crença no inferno e no diabo. E é lindo pensar sobre o que poderia significar o céu e a vida eterna ao lado de seus entes queridos”.
Para que todos esses elementos ganhem destaque na tela, o diretor optou por um elenco desconhecido, o que, na teoria, aumenta a identificação do público com os personagens. O ator mais reconhecível é Michael Landes, de “Premonição 2”. Mas quem ficou com o papel do protagonista foi o nova-iorquino Timothy Gibb, que havia desistido da carreira após viver um ciclo de novelas e comerciais.
Bousman diz que Gibb tem o “típico olhar masculino americano”, mas talvez tenha sido um outro detalhe que chamou a atenção do diretor: assim como seu personagem, Gibb também foi à Espanha se recuperar de uma tragédia pessoal.
Histórias de bastidores, como se vê, não faltam a “11-11-11”. Resta saber se toda essa trivia funciona como filme.































