Dexter abre o coração, fígado, intestinos…

COMIC-CON A 6ª temporada de “Dexter” só estreia em 2 de outubro na televisão americana, mas a Comic-Con já serviu para revelar muitas novidades do retorno do serial killer. Compareceram à convenção os produtores executivos Scott Buck e Sara Colleton, os membros do elenco C.S. Lee, David Zayas e James Remar, os atores recém-chegados Colin Hanks e Mos Def, e, é claro, Michael C. Hall, o intérprete do personagem título. Diante dos fãs e da imprensa, eles discutiram o que se passará com Dexter e com o Departamento de Polícia de Miami quando a série retornar.

Na 5ª temporada, pela qual “Dexter” concorre atualmente ao prêmio Emmy de Melhor Drama, o protagonista lidou com o remorso – sentimento que sua psicopatia desconhecia e não sabia administrar. Ele se culpava pelo assassinato da esposa Rita (Julie Benz), que poderia ter prevenido, e só encontrou uma luz ao fim do túnel com a presença de Lumen (Julia Stiles), sobrevivente de um outro psicopata, que veio amparar Dexter em seu estágio de luto.

“A trama da Lumen foi o que permitiu ao Dexter se redimir pelas culpas que carregava”, confirmou Michael C. Hall durante a entrevista. Agora, de alma limpa e revigorada, é hora do velho Dexter voltar à tona, tão em paz com o seu monstro interior quanto esteve nas temporadas iniciais. “Ele está completamente desconectado da morte de Rita e está de volta à seu modo assassino”, confirmou Hall.

Essa superação, porém, não virá do dia para a noite. Entre o final da 5ª temporada e o início da 6ª terá transcorrido um ano. “Dexter terminou seu ano de expiação e volta a ser um Passageiro Sombrio”, explicou a produtora Colleton. E, neste ínterim, o filho de Dexter já estará mais crescidinho. Mesmo de volta às raízes, o protagonista ainda conservará o receio de que a prole tenha herdado o seu gene assassino. “Ele não quer que o filho mostre nenhum traço similar a ele e não quer encorajá-lo. É um medo constante”, disse Hall.

O ator revela que, para garantir que o bebê Harrison se desenvolva em um ambiente normal, “Dexter está motivado a dar a ele uma base espiritual”. Como Dexter é, em seu interior, oco, frio, calculista, essa procura por Deus deve originar vários comentários sagazes e irônicos feitos em off, em uma narração que só Dexter e o espectador escutam. Ainda assim, esse enredo tem suas semelhanças com o protagonista, já que, segundo Colleton, a luta de Dexter “é contra sua própria natureza indefinível, como a fé”.

Os filhos de Rita, que Dexter ajudava a criar, continuarão vivendo com os avós e não devem ser porção proeminente da temporada. Já a relação de Dexter com sua irmã, a policial Deb, deve permanecer em foco. Ao final da 5ª temporada, ela esteve a um passo de descobrir que o irmão era o principal articulador de um caso de assassinato em série que investigava. “Deb é muito inteligente, mas Dexter é mais inteligente ainda”, afirmou o produtor Buck.

Na vida real, Michael C. Hall foi casado com Jennifer Carpenter, a intérprete de Deb. O casal se separou no hiato entre as temporadas, mas o assunto foi evitado na Comic-Con – afinal, os fãs estão mesmo interessados é no rumo do enredo. Mas, falando em divórcio fictício, David Zayas, que interpreta Batista, comentou que a relação do personagem com a delegada LaGuerta chegou mesmo a um impasse. “Algumas coisas dão certo, outras não”, justificou Zayas. Por outro lado, Deb ainda estará envolvida com Quinn.

Paralelamente, o cômico Masuka continua garantindo sua pilha de bobagens. “Ele terá estagiários esse ano, tanto mulheres quanto homens, e provavelmente vai se envolver em problemas com alguns deles”, comentou C.S. Lee. O personagem, promíscuo e mulherengo, sempre atira para todos os lados e dificilmente emplaca. “Mas também veremos um outro lado dele nessa temporada”, acrescentou o ator, quando indagado sobre as possibilidades de um romance verdadeiro para Masuka.

Além dos personagens já conhecidos do núcleo policial, a 6ª temporada terá a sua cota de astros convidados – e, em “Dexter”, não raro as participações roubam as atenções do elenco fixo. Na 4ª temporada, John Lithgow arrebentou no papel do serial killer Trinity (“Adoraria trabalhar com John novamente, mas o personagem dele está morto de vez”, lamentou Hall). Na 5ª, Julia Stiles dominou como Lumen. Para a 6ª, estão garantidas várias aparições, entre as quais Edward James Olmos (série “Battlestar Galactica), Billy Brown (série “Lights Out”), Colin Hanks (série “Mad Men”, filho de Tom) e Mos Def (“Rebobine, Por Favor”) – os dois últimos compareceram à Comic-Con.

Não que eles pudessem dar maiores detalhes de suas participações: ainda que a temporada tenha sido apresentada em linhas gerais, seu cerne continua oculto para preservar as surpresas. Segundo Scott Buck, o personagem de Hanks “trabalha em um museu e cuida de artefatos antigos, e será lançado no mundo de Dexter.” Como esse choque entre os personagens acontecerá, contudo, ainda é segredo. “Não posso nem afirmar nem negar nada sobre meu personagem”, disse Hanks.

Def também foi enigmático, mas ao menos parecia extasiado de fazer parte do time. “Sou fã do show desde o início, tenho todos os DVDs”, confessou. “Se não estivesse desse lado da bancada, estaria entre os fãs fazendo perguntas”, emendou Def.

O fato de a trama ser guardada a sete chaves é atípico em séries que, como “Dexter”, se baseiam em materiais pré-existentes. Mas, neste caso, os livros da coleção escrita por Jeff Lindsay servem apenas como uma leve fonte de inspiração para o programa. “Moldamos o nosso próprio Dexter”, defende Colleton. E tudo que compõe o personagem e o show vem da cabeça dos roteiristas, sem semelhanças com a vida real – embora tantas outras séries também incorporem fatores externos. “‘Law & Order’ faz isso muito bem com os casos verdadeiros”, lembrou Colin Hanks.

Por ora, “Dexter” caminha perfeitamente como está: é uma das séries da maior audiência de sua emissora e um pequeno fenômeno também fora da televisão (tanto que, no painel da Comic-Con, foi anunciado um jogo com o personagem planejado para se adequar às mídias sociais). E Michael C. Hall é um dos principais beneficiados pelo sucesso: além do nome no topo dos créditos, ele também assina como produtor executivo.

O sucesso é tanto que ele sequer se preocupa com o futuro. “Não sabia que ‘Dexter’ me aguardava enquanto ainda era diretor de funerária”, brincou o ator, referindo-se ao seu papel anterior na televisão, na série “A Sete Palmos” (Six Feet Under). “Espero que, depois de ‘Dexter’, também haja algo que eu sequer posso imaginar”, refletiu. Ele não terá de descobrir tão em breve: nesse ritmo, “Dexter” será renovado para muitas e muitas temporadas por vir.

+ Louis Vidovix

Louis Vidovix é publicitário, leitor voraz, cinéfilo incorrigível e fã das séries de TV. Expõe suas opiniões no blog Acho Melhor Não Ler

2 Comentários

  • Christina Identicon Icon Christina
    4 de agosto de 2012 | Permalink | Responder

    Michael C.Hall é um excelente ator. Mostrou seu enorme talento em Six feet under e com Dexter se supera a cada episódio.Simplesmente Maravilhoso.

  • 13 de maio de 2012 | Permalink | Responder

    A série Dexter não pode acabar, não faz sentido seguir somente os livros, Dexter já possui seus fãs. Gostamos de vez Michael interpretando Dexter nas telinhas. E pode explorar mais que o garoto tem muito a oferecer a seu público.

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