Brendan Fraser sempre teve uma grande dificuldade como ator: convencer como ser humano. Depois de ter feito tantos papéis esquisitos – dentre eles, os personagens-título de “Homem da Califórnia” e “George – O Rei da Floresta” – Fraser ficou bastante estigmatizado como o intérprete perfeito para toda a sorte de bobos e desmiolados no cinema. De vez em quando, o ator tenta algum projeto mais sério e acaba esbarrando em sua própria limitação. Em “Crash – No Limite”, por exemplo, não consegue convencer em nenhum momento como marido respeitável de Sandra Bullock.
Em “Decisões Extremas”, ele faz dobradinha com Harrison Ford (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. E o primeiro sinal de alerta é que o filme foi lançada diretamente em DVD no Brasil.
O drama, entretanto, surpreende logo no seu início. E não se trata de invencionices do roteiro ou qualquer coisa envolvendo a história em si. Surpreendente é ver, pela primeira vez desde “Star Wars” (1977), Harrison Ford não ser o nome principal de uma produção. O longa-metragem é produzido pelo ator que, talvez até por isso, tenha se sentido menos tentado a encabeçar o elenco, deixando a função para Brendan Fraser. É no mínimo curioso.
“Decisões Extremas” tem direção de Tom Vaughan (de “Jogo de Amor em Las Vegas”) e roteiro assinado por Robert Nelson Jacobs (de “Chocolate”), baseado no livro “The Cure”, da jornalista vencedora do Pullitzer Geeta Anand que, por sua vez, baseou-se em fatos reais.
Na trama, John Crowley (Fraser) é um homem de família, casado com a bela Aileen (Keri Russell, do seriado “Felicity”) e pai de três filhos. Os Crowley tentam de todas as formas manter uma rotina normal, mesmo tendo de encarar uma batalha diária: dois de seus três filhos tem a doença de pompe, um mal degenerativo que afeta os músculos e sistema nervoso. De acordo com as pesquisas de John, as crianças têm expectativa de vida até os 9 anos de idade, o que o deixa desesperado por uma solução para o problema. Ao conhecer as pesquisas do dr. Robert Stonehill (Ford), Crowley percebe uma luz no fim do túnel, larga seu trabalho e passa a dedicar todo o seu tempo a angariar fundos para a descoberta da cura para a doença. No entanto, Stonehill não é uma figura nada fácil de lidar.
Para início de conversa, Brendan Fraser consegue uma atuação – ainda que nada uniforme – bastante comovente, merecendo créditos por arriscar-se novamente num papel diferente do habitual. John Crowley é totalmente abnegado e não mede esforços para salvar os filhos. Homem de negócios, ele é a pessoa perfeita para dar vida às pesquisas de Robert Stonehill, um professor que tem idéias revolucionárias na teoria, mas nunca as coloca em prática.
Harrison Ford pratica o seu feijão com arroz para encarar um papel que parece ser escrito sob medida para ele. Portanto, não é de se estranhar que o ator esteja tão à vontade como o médico. As crianças do elenco, Meredith Droeger, Diego Velazquez e Sam M. Hall, dão conta do recado e têm boas atuações.
Com uma história de superação de adversidades, “Decisões Extremas” consegue apresentar ao espectador uma trama que, ao mesmo tempo que enfoca uma tragédia, também mostra que é possível arregaçar as mangas e trabalhar para se encontrar uma solução.
A narrativa é um tanto lenta, o filme não parece saber o que fazer com seus coadjuvantes e há um certo exagero melodramático, mas o longa-metragem de Tom Vaughan tem suas qualidades e merece uma conferida. Mesmo que seja apenas para ver Brendan Fraser interpretar um ser humano.
Decisões Extremas
(Extraordinary Mesures, EUA, 2010)
Lançamento em DVD e Blu-ray







































1 Comentário
OPPS !!!
Qual o seu problema com Brendan ?
não digo isso por ele ser o meu ator favorito, mas por saber e ver que ele é um dos poucos nessa profissão que não prescisa de tanto “tititi”…como muitos, para ter uma ótima carreira…
você tem que prestar mais atenção em Brendan……
ele é um ator completo…drama, ação, romance, aventura……..
ok!