David Kelly (1929 – 2012)

Morreu o ator irlandês David Kelly. Ele tinha 82 anos e faleceu no domingo (12/2) após se sentir mal. A maior parte de sua carreira foi voltada ao procênio, particularmente aos palcos do teatro Gate, em Dublin, mas tornou-se conhecido do grande público por papéis marcantes em séries britânicas, chegando ao reconhecimento internacional apenas no fim da vida, como o vovô de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005), de Tim Burton. Após esta performance, ele ganhou um prêmio da Academia Irlandesa de Cinema e Televisão, a IFTA, em homenagem a sua carreira.

Nascido em 11 de julho de 1929 em Dublin, David Kelly começou sua carreira artística nos palcos de Dublin com peças de William Shakespeare e Samuel Beckett, de onde partiu para tentar o cinema e televisão londrinos. Um dos seus primeiros papéis foi como figurante no suspense “O Homem Errado” (1956), de Alfred Hitchcock.

Um Golpe à Italiana, como o vigário fotografado ao fundo

A princípio, David Kelly tentou dar sequência à sua carreira de ator teatral sério nos novos meios. Participou de uma série de dramatizações teatrais para a TV, entrou no elenco do filme “O Rebelde Sonhador” (Young Cassidy, 1965), sobre a vida do dramaturgo Sean O’Casey, e também na adaptação do “infilmável” romance “Ulysses”, de James Joyce, levada aos cinemas em 1967.

Aos poucos, porém, foi se adequando a papéis em comédias televisivas. Alto e magro, Kelly era sempre lembrado para viver o irlandês excêntrico, perfil que desempenhou como o construtor O’Reilly na série “Falty Towers”, em 1975.

Com o elenco da série Robin’s Nest

Na década de 1970, deu vida a um de seus personagens mais populares: Albert Riddle, um lavador de pratos incompetente, que tinha apenas um braço, na série de comédia “Robin’s Nest” – exibida de 1977 a 1981.

Outra criação marcante foi ao ar em 1980: o papel de “Rashers” Tierney, o morador do porão na série “Strumpet City”, também estrelada pelos grandes Peter O’Toole (“Lawrence da Arabia”), Cyril Cusack (“Ensina-me a Viver”) e Peter Ustinov (“Quo Vadis”).

A Fortuna de Ned, pelado ao lado de Ian Bannen

Os papéis no cinema foram pequenos e esparsos. Ele viveu o vigário na famosa cena do funeral de “Um Golpe a Italiana” (The Italian Job, 1969), estrelado por Michael Caine. E voltou a contracenar com Caine no filme de espionagem “O Xeque Mate” (The Jigsaw Man, 1984), do diretor Terence Young.

Suas aparições mais notáveis na tela grande aconteceram nos anos 1990, em dois deliciosos filmes irlandeses: “No Limite da Inocência” (Into the West, 1992), de Mike Newell, no qual interpretava um velho contador de histórias numa comunidade de viajantes, e “A Fortuna de Ned” (Waking Ned, 1998), na qual apareceu conduzindo uma moto completamente nu.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, com Johnny Depp e Freddie Highmore

Ele ainda contracenou com Kevin Spacey no drama criminal irlandês “Ordinary Decent Criminal” (1999), e com Helen Mirren e Clive Owen em “Dedos Verdes” (Greenfingers, 2000). Mas nenhuma produção lhe trouxe tanto reconhecimento quanto o papel do vovô de Charlie, o menino sorteado para conhecer a fábrica de Willie Wonka em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Sua última aparição no cinema foi no filme de fantasia britânico “Stardust – O Mistério da Estrela”, em 2007. Sua carreira durou 50 anos e ele nunca considerou a aposentadoria.

Stardust – O Mistério da Estrela

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