Fenômeno de audiência nos anos 1980, a cultuada série “Dallas” está de volta à televisão brasileira a partir desta segunda-feira (18/6) às 22h pelo canal pago Warner Channel. Os novos episódios vão tentar repetir os bons números alcançados pela série ao longo de suas surpreendentes 14 temporadas (1978 – 1991), conquistando tanto o público jovem quanto aqueles que assistiram aos conflitos familiares na fazenda Southfork há três décadas. Nos EUA, onde estreou na semana passada, faz 6,9 milhões de telespectadores e se tornou a estreia mais assistida do ano na TV paga americana.
Além dos atores jovens que compõem o elenco, como Josh Henderson e Jesse Metcalfe (ambos da série “Desperate Housewives”) e Jordana Brewster (da franquia “Velozes e Furiosos”), os produtores fizeram questão de trazer o trio principal do programa original, Larry Hagman, Patrick Duffy e Linda Gray, para manter vivo o legado e assegurar aos fãs de “Dallas” que a trajetória da série será preservada. “Não é um remake ou um reboot, mas a continuação daquela história”, explicou a quase carioca Jordana, durante entrevista coletiva em Beverly Hills. “A intenção é pegar os personagens originais onde a trama os deixou e mostrar ao público como as gerações novas e antigas estão interagindo umas com as outras”.
Não seria de todo errado, portanto, dizer que a versão 2012 de “Dallas” estaria mais para uma 15ª temporada do que para uma nova série. Esse ponto foi um dos mais enfatizados pela produtora executiva e roteirista Cynthia Cidre, uma das responsáveis pelo resgate de “Dallas”. “Nossa primeira regra era ser completamente respeitosos com o programa”, declarou.
A produtora lembrou que, nos anos 2000, “Dallas” quase virou um filme. Na verdade, uma comédia, com Ben Stiller (“Uma Noite no Museu”) e John Travolta (“O Sequestro do Metrô 123”). “Eu não fui uma fã hardcore de ‘Dallas’ na época, mas para mim parecia uma afronta para o público se fossem tirar sarro do programa” – curiosamente, o filme “Anjos da Lei”, baseado na série homônima dos anos 1980, foi muito bem nas bilheterias e elogiado pela crítica ao fazer justamente isso.
Cynthia reviu centenas de episódios para saber como “Dallas” retornaria para o novo século e a conclusão foi óbvia: se a série era focada na rivalidade dentro da dinastia Ewing, nada mais justo do que ver os conflitos familiares continuarem com os herdeiros da família. Com isso, os irmãos completamente opostos J.R. (Larry Hagman) e Bobby (Patrick Duffy) deixam de ser protagonistas para dar lugar aos filhos John Ross (Josh Henderson) e Christopher (Jesse Metcalfe), respectivamente.
Na história, o filho do inescrupuloso J.R. retorna à cidade natal depois de uma década morando com a mãe na Inglaterra e sua intenção é resgatar o poderio financeiro da família cavando novos poços de petróleo. Já o filho do bondoso e justo Bobby também quer restaurar o sobrenome, porém com outras alternativas, como a produção de energia renovável. Para piorar, entre eles, haverá a disputa pelo amor de Elena Ramos (Jordana Brewster), ex-noiva de Christopher, agora namorada de John Ross.
Talvez o grande peso da responsabilidade possa cair sobre os ombros de Henderson, afinal ele deverá assumir o papel de adorável vilão, como fazia com tanta competência Larry Hagman com seu delicioso e detestável J.R.. “Foi definitivamente muito intimidante”, confessou Henderson, sobre quando aceitou o papel. “Eu sabia o impacto que o programa tinha e é como ‘Crepúsculo’, os fãs sabem tudo sobre os livros e mais sobre o personagem do que o próprio ator”, ele comparou.
John Ross chega à Dallas disposto assumir a liderança dos negócios da família, mas precisará, primeiro, se entender com seu pai, de quem ficou afastado por mais de dez anos. “Haverá muita descoberta entre eles”, adiantou o veterano Larry Hagman. “Só que eu sei quem eu sou, mas ele não sabe quem eu sou. E talvez ele vá descobrir mais sobre mim do que gostaria”, sugeriu o ator, maliciosamente.
Desde que “Dallas” acabou, em 1991, Hagman emendou diversas participações em programas televisivos (“Nip/Tuck”, “Desperate Housewives”) e também retornou ao seu personagem em dois telefilmes: “Dallas: J.R. Returns” (1996) e “Dallas: War of the Ewings” (1998). E não foi preciso muitos argumentos para convencê-lo a retornar à série: bastou Cynthia dizer que seus colegas Patrick Duffy e Linda Gray já haviam confirmado a presença para ele imediatamente responder “Ok”. “Mas você não quer ler o roteiro?”, perguntou a produtora. “Não precisa”, ele respondeu.
A chance de poder novamente trabalhar com os amigos também atraiu Duffy: “Eu amo trabalhar com Larry e Linda mais do que qualquer outra coisa no mundo”, derreteu-se o ator, que continuou trabalhando na televisão americana sem parar desde o fim da série, porém sem nunca destacar-se novamente. “Em 90% de nossas cenas juntos, estamos ameaçando matar uns aos outros e isso é muito divertido com seu melhor amigo”, ele comemorou.
Já Linda ressaltou outra observação que chamou sua atenção durante o retorno à série. “Para mim, ver o nome de uma mulher (Cynthia Cidre) no roteiro foi muito, muito intrigante”, ela elogiou, já que “Dallas” sempre trouxe homens no comando do programa. A atriz de 71 anos contou que precisou imaginar por quais situações Sue Ellen passou ao longo dos últimos 20 anos que teriam modificado sua personagem. E avisa: “Esta é uma Sue Ellen completamente nova”.
Na série, Sue Ellen é a atual sogra de Elena Ramos, personagem de Jordana Brewster e a panamenho-brasileira não escondeu ter sentido um frio na barriga ao se dar conta de que seria responsável por uma das razões pela nova rixa da família Ewing, ao dividir o coração dos primos. Seu medo era por não fazer jus ao histórico do programa e das boas atuações do elenco – um arrepio que durou até que ela conheceu pessoalmente Linda, Duffy e Hagman. “Foi assustador, eu queria suas bênçãos. Você quer que eles pensem que você é uma boa atriz”, ela contou. “A série durou 13 anos por causa deles e você não quer estragar isso. E quando eu os conheci, eles foram incríveis, encantadores e acolhedores”, agradeceu Jordana.
Apesar de estrelar uma franquia (“Velozes e Furiosos”) que está prestes a chegar ao sexto filme, a atriz não conseguiu emplacar outro sucesso e retorna para a televisão, de onde surgiu após participar por seis anos da novela americana “As the World Turns” (1995 – 2001). “Eu estava procurando algo na TV, é um meio muito melhor para as mulheres, em termos de personagem”, ela justificou, citando as premiadas Claire Danes (“Homeland”), Julianna Margulies (“The Good Wife”) e Edie Falco (“Nurse Jackie”).
“Dallas” retorna à televisão brasileira às segundas, às 22h, pelo Warner Channel. A trama continua mais viciante que muitas telenovelas brasileiras. E enquanto o primeiro episódio demostra claramente quem são os mocinhos e os vilões da trama, é bom ficar ressabiado, pois as reviravoltas chegam a chocar no segundo episódio. Como sempre foi tradição em “Dallas”.


































