
Que “Guerra ao Terror” é um dos melhores filmes de guerra dos últimos anos e o melhor filme sobre a Guerra do Iraque já produzido, disso não resta dúvida. É impressionante o grau de tensão que a diretora Kathryn Bigelow (“Quando Chega a Escuridão”) consegue imprimir em sua obra, fazendo com que a gente se sinta nas botas apertadas daqueles homens em situação de perigo extremo.
A trama acompanha o trabalho de um esquadrão antibombas no Iraque. E o perigo se confirma logo no surpreendente prólogo, onde soldados do exército americano tentam desarmar uma bomba com a ajuda de um robozinho teleguiado. Acontece que, de vez em quando, o robozinho não dá conta do serviço, ficando enganchado em alguma pedra, e nessas horas alguém precisa ir lá pessoalmente. E aí a desconfortável vestimenta protetora nem sempre consegue salvar o especialista do impacto da bomba.
O grande diferencial de “Guerra ao Terror” dos demais filmes abordando conflitos armados está na forma como Bigelow apresenta a guerra como uma droga. Não uma droga no sentido de que é ruim, mas na capacidade de viciar. Nisso, o novo drama encontra paralelos com o trabalho mais bem-sucedido comercialmente da diretora, “Caçadores de Emoção” (1991), que também abordava a busca por adrenalina como filosofia de vida. Em “Guerra ao Terror”, essa opção se torna incrivelmente doentia.
Na tela, homens se transformam em máquinas de guerra e demonstram gostar disso. A performance de Jeremy Renner (“Extermínio 2”) como o sargento William James é impressionante. Ele é o sujeito enviado para substituir um militar morto em ação.

O filme também explora a disputa de métodos e de egos entre James e o outro sargento, vivido por Anthony Mackie (“Controle Absoluto”). Em certo momento do filme, procurando por uma bomba dentro de um carro, ele se recusa a obedecer as ordens de seu líder, disposto a encontrar a bomba e desativá-la, custe o que custar. E essa é apenas uma dentre as várias sequências de tirar o fôlego que o filme proporciona.
Quando se pensa que já foi mostrada a situação mais extrema do enredo, aparece outra logo em seguida, tão ou mais forte que a anterior.

A produção independente foi rodada na Jordânia e as filmagens não foram exatamente tranqüilas. Entre os problemas enfrentados, o fato de um ônibus cheio de refugiados iraquianos ter virado; Jeremy Renner ter torcido o tornozelo durante uma cena; uma onda de calor de torrar os miolos ter surgido logo na primeira semana de filmagens; além dos reflexos causados pela atual política de segurança dos Estados Unidos nos países do Oriente Médio.
Curiosamente, os nomes mais conhecidos do elenco aparecem em papéis pequenos: Guy Pearce (“Amnésia”), Ralph Fiennes (“O Leitor”), David Morse (“16 Quadras”) e Evangeline Lilly (da série “Lost”).

“Guerra ao Terror” ainda tem a vantagem de não ser um “filme-denúncia” e, portanto, sem prazo de validade.
Saiu direto em DVD no Brasil pela Imagem, que deve estar arrependida de não tê-lo lançado nos cinemas, agora que o filme aparece cotado para o Oscar 2010.
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Guerra ao Terror
(The Hurt Locker, EUA, 2009)
Lançamento em DVD




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2 Comentários
O texto foi publicado em novembro, Gilberto.
Este DVD saiu em abril de 2009 no Brasil … o que vai sair agora é o Blu-ray !