Steven Soderbergh tem experiência em dirigir filmes com diversos personagens. Desde o arriscado “Traffic” (2000), o divertido “11 Homens e um Segredo” (2001), e o irregular “Full Frontal” (2002), o diretor sempre se mostrou competente ao comandar uma história com elenco estelar sem perder a linha ou o ritmo de sua narrativa. Sendo assim, ninguém melhor do que ele para comandar um longa que conta, por meio de diferentes pontos de vista, a história de uma epidemia que se espalha rapidamente em diversos lugares do mundo.
Escrito por Scott Z. Burns (parceiro do diretor em “O Desinformante!”), “Contágio” abre com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) voltando para casa após uma viagem de trabalho. Após um mal-estar, ela é internada e vem a falecer devido a uma estranha doença. É então que se inicia uma extensa investigação para determinar a origem da enfermidade e uma possível cura.
Rapidamente, o caso se torna uma epidemia que se espalha em várias partes do globo. Nesse meio tempo, o Centro de Controle de Doenças (CCD) busca conter o avanço do vírus, enquanto os cidadãos comuns tentam sobreviver numa sociedade desmoronando em meio ao caos.
Sabendo que é impossível não comparar o longa com a paranóia causada pelo H1N1 há alguns anos atrás, o roteiro insere (acertadamente) referencias àquele surto, mostrando a preocupação do CCD em não repetir erros que, segundo eles, “só conseguiram deixar as pessoas saudáveis com medo”.
A paranoia é manifestada na tela de maneira sutil e eficaz: através de diversos planos-detalhes de pessoas tocando objetos, como maçanetas e copos – sendo que já havia sido explicado que o contato era o método de transmissão mais eficaz. É impossível não sair dos cinemas lavando as mãos, ou contando quantas vezes você toca o rosto por minuto.
O texto ainda é bem sucedido ao mostrar como as pessoas, em meio a uma situação extrema, tornam-se mais perigosas que a doença em si – algo visto também em “Ensaio Sobre a Cegueira” (2008) e na obra-prima de terror “O Nevoeiro” (2007).
Contando com um belo trabalho de montagem de Stephen Mirrione (“Babel”), “Contágio” já inicia com diversas cenas de diferentes cidades, ressaltando as várias pessoas que serão atingidas em breve pelo vírus e instituindo desde cedo a idéia de que aquele será um problema global. Além disso, a opção pela inserção de letreiros, que ilustram a passagem de tempo durante a projeção, serve não só para demonstrar a velocidade com que o caso se espalha (algo também ilustrado pelas imagens de aeroportos, academias e até igrejas completamente vazias), como ainda guarda uma boa surpresa para o final.
Entretanto, esse estilo de montagem, que privilegia o uso de cortes secos e grandes saltos temporais, acaba sendo o maior defeito do filme, pois distancia o público dos personagens – o que cria indiferença aos seus dramas pessoais.
Tal frieza parece ter sido planejada, já que o personagem de Matt Damon, suposto protagonista da história, acaba se tornando apenas um artifício de roteiro para mostrar como as pessoas comuns estão reagindo àquela situação.
Considerando que o filme anterior de vários personagens que Soderbergh dirigiu foi o fraco “13 Homens e um Novo Segredo” (2007), nota-se aqui uma evolução de qualidade narrativa e um resultado bem mais relevante. Além disso, nunca é demais ver um filme de catástrofe apocalíptica que, além de buscar um formato alternativo, não tenha sido dirigido por Michael Bay ou Roland Emmerich.
Contágio
(Contagion, EUA, 2010)
Lançamento em DVD e Blu-ray





































3 Comentários
Interessante a análise que vocês fizeram sobre as questões técnicas, mas discordo em algumas partes sobre a crítica. Aqui tens meu ponto de vista: http://espinafrando.com/2011/10/espinafrando-a-estreia-contagio/
quando voces vão por filtro pra críticas?
pô, demoro um tempão procuranco críticas mais antigas. ://
A gente tá demorando mais ainda para entender o que vc quer dizer…