CineOP homenageia Gustavo Dahl e irmãos Faria

A 7ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto abre oficialmente nesta quinta (21/6) com a exibição gratuita de 70 filmes e homenagens aos cineastas Gustavo Dahl, Reginaldo Faria e Roberto Farias. São diretores presentes na história do festival. Dahl foi, inclusive, destaque da edição anterior do evento, dias antes de falecer no ano passado.

Diretor de dois longas-metragens marcantes (“O Bravo Guerreiro”, de 1968, e “Uirá, um Índio em Busca de Deus”, de 1973), Dahl acumulou um sem-número de siglas pelas quais respondeu ao longo dos anos. Embrafilme, Concine, Abraci, Gedic, CBC, Ancine, CTAv… Em todas essas entidades, ele teve papel decisivo – em algumas delas como um dos artífices (como na criação da Ancine, Agência Nacional do Cinema), em outras resgatando memórias e histórias (como no Centro Técnico do Audiovisual, o CTAv, quando levou a cabo a republicação fac-similar de todas as 49 primeiras edições da “Filme Cultura”, antes de sua nova fase). Foi ainda crítico em diversas publicações e membro atuante da Cinemateca Brasileira.

Exibições de cinema ao ar livre no 6º CineOP

A programação da mostra em Ouro Preto – que seguirá até a próxima segunda-feira – reservou atividades em torno do nome e da obra de Dahl. “O Bravo Guerreiro”, seu trabalho mais relevante, protagonizado por Paulo César Pereio, vai ser exibido no sábado, no Cine Vila Rica. No dia anterior, a mesa de debates “Gustavo Dahl e a Preservação Audiovisual”, com presença de Geraldo Veloso, André Gatti e Arthur Autran, dentre outros, deve discutir a batalha do realizador pela memória do cinema.

Os outros dois homenageados da CineOP em 2012 estão vivos e bem atuantes. Os irmãos Reginaldo Faria e Roberto Farias serão lembrados também numa mesa de debate (que discutirá o cinema feito pelos dois a partir dos anos 1960, com forte tendência a gêneros como policial e aventura) e na exibição de longas-metragens.

Participação de Gustavo Dahl no 6º CineOP

O filme de abertura é “Pra Frente Brasil” (1982), de Roberto Farias, de quem vai ser exibido ainda os clássicos de ação criminal “O Assalto ao Trem Pagador” (1962) e “Cidade Ameaçada” (1960).

“Roberto Farias (realizador de 13 longas) sempre participou das discussões centrais em Ouro Preto sem receios de controvérsias e de assumir posições, desagradasse a quem desagradasse”, afirma o crítico Cléber Eduardo, curador da temática histórica da mostra. “Já Reginaldo está de volta à direção, com seu recente ‘O Carteiro’, sem ter deixado de continuar a frente das câmeras, sobretudo na Globo”, ressalta.

Roberto Farias

Cléber aponta o “retorno” de Reginaldo Faria à direção porque o ator ficou três décadas sem dirigir um filme, após sete longas como realizador e protagonista. Dois foram fundamentais à sua trajetória e estão na mostra: a comédia picante “Os Paqueras” (1969) e o violento “Barra Pesada” (1977), sobre o submundo do crime carioca.

O recorte memorialístico característico da CineOP mantém produções contemporâneas na grade de programação. Entre reprises da Mostra de Tiradentes (como o vencedor do Troféu Aurora, “A Cidade É uma Só?”, de Adirley Queirós), e resgate de projetos inacabados (“A Mulher de Longe”, de Luiz Carlos Lacerda, com imagens de um filme não terminado do escritor Lúcio Cardoso em Niterói, em 1949), serão exibidos 70 trabalhos, sendo 15 longas, três médias e 52 curtas. Destacam-se na mostra como produções como “Vou Rifar Meu Coração”, de Ana Rieper, recentemente premiada no festival de documentários musicais In-Edit, e “Corda Bamba – História de uma Menina Equilibrista”, exibido no Cine PE.

Reginaldo Faria, nas filmagens de O Carteiro

O encerramento, na segunda-feira, dia 25, vai ser ao som de Jorge Mautner no documentário “O Filho do Holocausto”, com direção de Pedro Bial e Heitor D’?Alincourt, que competiu no Cine PE, em Recife, no último mês de abril.

A programação, que celebra realizadores do cinema brasileiro, quer ser fórum para elaboração de subsídios para políticas patrimoniais na área cinematográfica. Por isso, paralelamente às exibições serão realizados o 7º Seminário do Cinema Brasileiro e o 7º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros.

Jorge Mautner no documentário O Filho do Holocausto

+ Marcelo Miranda

Marcelo Miranda é crítico de cinema do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, foi curador do Festival de Brasília 2010 e é colunista da revista eletrônica Filmes Polvo. Você pode acompanhar suas matérias também no blog do Polvo.

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