Cine Ceará tem música, poesia e zumbis

Começa nesta sexta-feira (1/6) a 22ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. Assim como o Festival de Gramado, o evento inclui em sua competição filmes de diferentes países da América Latina. Neste ano, foram selecionadas produções do Brasil, Chile, Espanha, Equador, Guatemala, México e Argentina.

Com sete países disputando o Troféu Mucuripe – o Brasil aparece com três produções –, o diretor executivo Wolney Oliveira comemorou o caráter internacional do festival. “Essa talvez seja a seleção mais diversificada desses 22 anos do Cine Ceará”, disse. “Mas eu destacaria também a presença feminina na direção já que, dos nove selecionados, quatro são projetos comandados por mulheres, o que comprova a força delas na produção de títulos de qualidade.”

Violeta Foi para o Céu

São elas a equatoriana Tania Hermida, com o longa “Em Nome da Filha” (En el Nombre de la Hija); a mexicana Kenya Márquez, com “Data de Vencimento” (Fecha de Caducidad); a argentina Paula Hernández “Um Amor” (Un Amor); e a brasileira Roberta Marques, com “Rânia” – eleito Melhor Filme na Mostra Novos Rumos no Festival do Rio 2011.

Os maiores destaques da programação, contudo, são poesia e música. Ou melhor, o multipremiado longa-metragem “Febre do Rato”, do pernambucano Cláudio Assis (“Baixio das Bestas”), e a produção chilena “Violeta Foi para o Céu”, escolhida para abrir o festival. Dirigida por Andrés Wood (“Machuca”), o filme levou o Grande Prêmio do Júri Internacional em Sundance este ano. Ambos os filmes chegam ao circuito comercial brasileiro ainda neste mês de junho.

Febre do Rato

“Violeta Foi para o Céu”, coprodução entre Chile, Argentina e Brasil, apresenta a vida da cantora Violeta del Carmen Parra Sandoval (1917-1967), ou apenas Violeta Parra, mito cultural e político do Chile – autora da música que é uma das maiores celebrações à existência, “Gracias a la vida” (“que me deu tanto…”). A obra é uma das favoritas ao prêmio principal após destacar-se no festival americano de cinema independente Sundance Film Festival, no começo do ano. Andrés Wood estará presente na sessão para conversar com o público.

“Febre do Rato”, por sua vez, não fica atrás: o filme do polêmico Cláudio Assis conquistou oito prêmios no Festival de Paulínia em 2011, inclusive Melhor Filme. O título refere-se à popular expressão nordestina sobre alguém muito nervoso e também é o nome do tabloide do poeta anarquista Zizo (Irandhir Santos), que terá suas convicções políticas abaladas após conhecer Eneida (Nanda Costa). O diretor deve comparecer à sessão de “Febre do Rato” ao lado de seu elenco, que também inclui o ator Matheus Nachtergaele (“O Auto da Compadecida”).

Em Nome da Filha

Completam a lista de concorrentes ao prêmio principal a ficção “Distância” (Distancia), do guatemalteca Sergio Ramírez, e os documentários “Bertsolari”, do espanhol Asier Altuna, e “Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!”, do brasileiro Ninho Morais.

Entre os curtas também há destaques, como “Os Mortos-Vivos”, de Anita Rocha da Silveira, que teve sua première mundial no Festival de Cannes.

Os Mortos Vivos

Além da mostra competitiva, que tem 11 categorias, o Cine Ceará oferece também mostras paralelas, denominadas Melhor Idade, Acessibilidade, 1º Filme a Gente Nunca Esquece e Lutas Sociais na América Latina. Este ano, os homenageados são o ator Marco Nanini (“A Suprema Felicidade”), que receberá o Troféu Eusélio Oliveira, a cineasta e produtora Lucy Barreto, com uma retrospectiva de seus trabalhos, e o reitor da Universidade Federal do Ceará Jesualdo Farias. Para aproveitar o aniversário de 10 anos de “Cidade de Deus”, o Cine Ceará promoverá também um debate com o cineasta Fernando Meirelles (no dia 4/6).

Fora de competição, também será exibido um dos filmes mais aguardados do Cine Ceará: “Juan dos Mortos” (Juan de los Muertos), de Alejandro Brugués, comédia de terror cubana, em que zumbis invadem as ruas de Havana. O filme já virou cult no circuito internacional.

Juan dos Mortos

Outro destaque das exibições especiais, o filme “Cine Holiúdy”, do diretor Halder Gomes (“As Mães de Chico Xavier”), foi escolhido para encerrar o festival. O diretor transformou em longa-metragem o seu elogiado curta “Cine Holiúdy – O Artista Contra o Cabra do Mal” (2004), baseado em suas memórias sobre a chegada da televisão no interior do Ceará, na década de 1970. Angeles Woo, filha do cineasta chinês John Woo (“Missão Impossível 2”) está no elenco.

O Cine Ceará acontece entre os dias 1 e 8 de junho, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza e sua entrada é gratuita (exceto nas cerimônias de abertura e encerramento, que é exclusiva). Mais informações no site oficial.

Cine Holiúdy

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Confira a lista dos filmes em competição no Cine Ceará

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Competição de longas-metragens

“Bertsolari”, de Asier Altuna (Espanha)
“Distancia” (Distância), de Sergio Ramírez (Guatemala)
“En el Nombre de la Hija” (Em Nome da Filha), de Tania Hermida (Equador)
“Febre do Rato”, de Cláudio Assis (Brasil)
“Fecha de Caducidad” (Data de Vencimento), de Kenya Márquez (México)
“Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!”, de Ninho Morais (Brasil)
“Rânia”, de Roberta Marques (Brasil)
“Un amor” (Um Amor), de Paula Hernández (Argentina)
“Violeta se Fue a los Cielos” (Violeta foi para o céu), de Andrés Wood (Chile)

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Competição de curtas-metragens

“A Galinha que Burlou o Sistema”, de Quico Meirelles
“Dia Estrelado”, de Nara Normande
“Disque Quilombola”, de David Reeks
“Dizem que os Cães Veem Coisas”, de Guto Parente
“Lambari”, de Márcio Soares
“Os Lados da Rua”, de Diego Zon
“Os Mortos-Vivos”, de Anita Rocha da Silveira
“Querença”, de Iziane Filgueiras Mascarenhas
“Realejo”, de Marcus Vinicius Vasconcelos
“Santas”, de Roberval Duarte
“Século”, de Marcos Pimentel
“Três Vezes por Semana”, de Cristiane Reque

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+ Leonardo Vinicius Jorge

Leonardo Vinícius Jorge é jornalista, crítico de cinema e autor do livro “12 de Setembro: O Cinema Hollywoodiano Após os Atentados Terroristas que Mudaram o Mundo”.

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