CINE CEARÁ Uma nova casa recebe o 21º Cine Ceará: Festival Ibero Americano, a partir desta quarta (8/6) em Fortaleza. “Nova”, apesar de o Theatro José de Alencar ter 101 anos. A sala possui menos assentos que a sede original do festival – o Cinema São Luiz (hoje em obras) na Praça do Ferreira – mas, em compensação, esbanja charme.
Esta edição do festival promete entrar para a história por também acontecer simultaneamente em Juazeiro do Norte (a partir desta quinta), a 514 quilômetros da capital cearense.
A atriz Giulia Gam, homenageada na abertura do 21º Cine Ceará
Mas como nenhum bom festival de cinema funciona sem bons filmes é importante falar da aposta radical da produção capitaneada por Wolney Oliveira, diretor do Cine Ceará, que a partir de 2006 tornou o evento ibero-americano.
Graças à iniciativa, o público pôde, pela primeira vez no Nordeste, ver tanto filmes produzidos por radicais e consagrados realizadores espanhóis e/ou portugueses como “Transe” (2007) e “Body Rice” (2007) – ambos com o dedo do português Paulo Branco -, mexicanos (Carlos Reygadas com “Luz Silenciosa”, 2008) ou excelentes promessas da Argentina, como Rodrigo Moreno (“El Custodio”), vencedor em 2006. Sem falar na interessante disponibilização de obras (algumas boas, outras não) vindas da Venezuela, Costa Rica, Equador e de outros países que não temos acesso nem em festivais gigantes como a Mostra Internacional de SP ou o Festival Internacional do Rio.
Assalto ao Cinema, de Iria Gómez
Em 2011, a seleção dos nove longas em competição também contempla essa diversidade e, o melhor, acenando para a boa qualidade.
Do Brasil, vem “O Coro”, que sintetiza a sociedade curitibana a partir de um orquestra sinfônica, com direção de Werner Schumann, e duas produções cearences: “Homens com Cheiro de Flor” e “Mãe e Filha”, respectivamente de Joe Pimentel e Petrus Cariri. Pimentel acompanha três pistoleiros para falar de crenças, desejos e valores da região. Já Petrus olha para relação entre as duas mulheres do titulo, que após longa separação se reencontram no Sertão num casa e lembranças em ruínas.
Homens com Cheiro de Flor, de Joe Pimentel
Os outros trabalhos vêm da Columbia, Cuba, Argentina, México e da Espanha. É espanhol, por sinal, o único documentário em competição: “Bicicleta, Maçã, Colher”, de Carles Bosch, que já chega com o prêmio Goya 2011 (Oscar espanhol) de melhor documentário, ao investigar a doença de Alzheimer. Não é o único representante da Espanha, que também traz “Pássaros de Papel”, de Emilio Aragon, sobre um grupo de artistas de vaudeville que tenta sobreviver nos anos após a Guerra Civil espanhola.
“Assalto ao Cinema”, da jovem mexicana Iria Gómez, mostra quatro adolescentes que brincam com a idéia de roubar uma sala de cinema para emoldurar sua amizade. Já “Todos os Teus Mortos”, do colombiano Carlos Moreno – melhor fotografia em Sundance 2011 -, deve causar impacto ao mostrar um camponês que, certa manhã, encontra vários cadáveres em sua plantação de milho.
Todos os Teus Mortos, de Carlos Moreno
O argentino “Língua Materna”, de Liliana Paolinelli, fala da superação de uma senhora ao descobrir que sua filha, de 40 anos, é lésbica. De Cuba, “Bilhete para o Paraíso”, de Gerado Chijona, nos leva a 1993 quando uma adolescente foge do assédio sexual de seu pai.
A mostra competitiva de curtas-metragens oferta 12 produções brasileiras, algumas inéditas, outras não.
Pássaros de Papel, de Emilio Aragon
Completam a programação do 21o Cine Ceará as mostras paralelas Begiradak: Olhares ao Cinema Basco; Olhar do Ceará; a mostra homenagem Estela Bravos (dos EUA); e a mostra Eduardo Coutinho, com cinco de seus filmes, incluindo o clássico “Cabra Marcado para Morrer”, de 1984.
Outros homenageados do evento são Daniel de Oliveira, Nicette Bruno, Silvia Buarque e Giula Gam – que ganhou um troféu na cerimônia de abertura do festival.
Bilhete para o Paraíso, de Gerado Chijona




































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