O cineasta inglês Charles Jarrott morreu na última sexta-feira (4/3) de câncer, aos 83 anos. Ele foi um dos mestres do cinema de época britânico, especialista em filmes sobre a dinastia Tudor. Seus dois primeiros filmes, “Ana dos Mil Dias” (1969) e “Mary Stuart, Rainha da Escócia” (1971), ganharam entre si 15 indicações ao Oscar.
“Ana dos Mil Dias” também lhe rendeu o prêmio de direção no Globo de Ouro. Ele ainda ganhou um Emmy pelo telefilme “Uma História Feita de Gelo” (1994).

Geneviève Bujold e Richard Burton em Anna dos Mil Dias
Nascido em Londres em 1927, Jarrott serviu na Marinha Real durante a 2ª Guerra Mundial, antes de virar ator. Seus primeiros trabalhos como diretor foram para a TV canadense em 1953. De volta a Londres, ele amadureceu na chamada “era de ouro” da BBC, dirigindo telefilmes nos anos 60 ao lado de grandes diretores, como Ken Loach, Dennis Potter e David Mercer.
Seus melhores filmes foram mesmo os dois primeiros, sobre a monarquia britânica, que projetaram seus intérpretes em papéis indicados ao Oscar: Richard Burton (Henry VIII) e Geneviève Bujold (Anne Boleyn), em “Anna dos Mil Dias”, e Vanessa Redgrave (Mary Stuart) no papel título de “Mary Stuart, Rainha da Escócia”.
Glenda Jackson e Vanessa Redgrave em Mary Stuart, Rainha da Escócia
O auge veio cedo, assim como a queda. Sua carreira nunca se recuperou de seu terceiro projeto, uma versão musical de “O Horizonte Perdido” (1973), caríssima para a época e interminável (150 minutos de duração), que se tornou um fracasso retumbante de crítica e público. O filme, curiosamente, fez sucesso no Brasil e no Japão, onde as músicas de Burt Bacharach, a coreografia brega e os cenários kitsch ajudaram a transformá-lo num cult.
Seus próximos filmes embarcaram no melodrama. “Entre Dois Destinos” (1974), “O Pequeno Ladrão de Cavalos” (1976) e “O Outro Lado da Meia-Noite” (1977) poderiam muito bem ter sido feitos para a TV, destino da maior parte de sua produção nos anos 80 e 90. De tão novelesco e exagerado, “O Outro Lado da Meia Noite”, estrelado por Susan Sarandon, também desenvolveu um séquito de fãs, notadamente gays.
Peter Finch e Liv Ullmann em O Horizonte Perdido
Mudou-se para Los Angeles no começo dos anos 80, onde foi trabalhar nos estúdios Disney, em filmes infantis e descartáveis como “A Última Viagem da Arca de Noé” (1980) e “Condorman – O Homem Pássaro” (1981). Acabou voltando à TV para dirigir biografias de pequenas celebridades, como a que lhe rendeu seu Emmy nos anos 90, baseado na história de uma patinadora de gelo.
Seu último filme foi “Turn of Faith” (2002), estrelado e co-produzido pelo ex-boxeador Ray Mancini.































One Trackback
[...] Fonte: Pipoca Moderna [...]