Morreu Celeste Holm, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “A Luz É para Todos” (Gentleman’s Agreement, 1947) e que brilhou nos palcos da Broadway com o musical “Oklahoma!”. Ela ficou internada por duas semanas com um quadro grave de desidratação, causado por um incêndio em seu prédio. Seus últimos dias foram ao lado de sua família, em sua casa. Ela tinha 95 anos.
Nascida no Brooklyn, em 29 de abril de 1917, Celeste Holm era a única filha de Theodor Holm, um corretor de seguros, e Jean Parke Holme, uma artista plástica. Já adulta, estudou Artes Dramáticas na Universidade de Chicago, indo trabalhar no teatro comunitário na década de 1930. Em 1938, estreou na Broadway.
Com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de 1948
Seu primeiro grande papel na Broadway veio na encenação de 1940 da peça “The Time of Your Life”, ao lado do também iniciante Gene Kelly (“Dançando na Chuva”). Logo em seguida, interpretou a personagem pela qual é mais lembrada, Ado Annie, no musical “Oklahoma!”, de Richard Rodgers. Na peça de 1943, ela imortalizou a canção “I Can’t Say No”, sobre descobertas sexuais e a transformação de uma menina em mulher.
Em suas memórias, Celeste contou que, para ficar com o papel, ela deveria cantar na frente de Rodgers, e seu agente havia lhe aconselhado a não tentar nenhuma de suas canções ou mesmo de seus rivais, porque se as errasse, o compositor ficaria furioso. Ela então escolheu “Who Is Sylvia?”, de Franz Schubbert, que não poderia ser ofensiva. Mas ao subir no palco, ela tropeçou no fio do microfone e caiu no palco. Foi então que Rodger perguntou a ela: “Você pode fazer isso de novo”. E foi justamente pelo jeito desengonçado com que se apresentou que ganhou o papel cômico naquele que viria a ser o musical mais influente de sua época.
A Luz É Para Todos, com Gregory Peck
Em 1944, ela estrelou o musical “Bloomer Girl”, o que chamou a atenção dos produtores da 20th Century Fox, que lhe ofereceram um contrato com o estúdio. Mas ela recusou. Sua estreia no cinema foi acontecer dois aos depois, com o filme “Three Little Girls in Blue”. As três garotinhas de azul do título eram as atrizes Vivian Blaine, June Haver e Vera-Ellen, mas foi Celeste quem roubou a cena no papel de uma visitante francesa.
Em seu filme seguinte, ela voltou a contracenar com Vera-Ellen no musical “Carnival in Costa Rica”, mas o filme foi pouco expressivo. Assim, somente em seu terceiro filme ela conseguiu se firmar em Holywood.
A Taberna do Caminho, com Cornel Wilde
O filme responsável por catapultar sua carreira foi “A Luz É para Todos”, um filme que abordava o antissemitismo, dirigido pelo mestre Elia Kazan, um dos criadores do Actor’s Studio, que revolucionou a arte de interpretar com a invenção do Método. O filme foi indicado a oito Oscars em 1948, dos quais ganhou três: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante, para Celeste Holm.
A conquista do Oscar rendeu novo assédio da 20th Century Fox e um contrato de sete anos de exclusividade, mas a parceria não durou muito. Celeste arrumou confusão depois de quatro anos, porque sentia que o estúdio não estava conduzindo bem a sua carreira.
A Cova da Serpente
Ela não se sentia feliz interpretando uma atendente de caixa no melodrama noir “A Taberna no Caminho” (Road House, 1948), ou uma paciente com distúrbios mentais no clássico “A Cova da Serpente” (The Snake Pit, 1949), um papel que foi escrito para atriz Olivia de Havilland, que optou por estrelar “Tarde Demais” (The Heiress, 1949) e levar seu segundo Oscar de Melhor Atriz.
A Fox lhe permitiu perpetuar sua presença no Oscar. Ela participou de “Falam os Sinos” (Come to the Stable, 1949), em que vivia uma freira ao lado da atriz Loretta Young, e também em um dos maiores clássicos do cinema, “A Malvada” (All About Eve, 1950), suspense feminino de Joseph L. Mankiewicz, no papel da melhor amiga de Betty Davis. Por ambos os filmes ela recebeu indicações ao Oscar, também na categoria de coadjuvante.
A Malvada, com Bette Davies
Mas, depois de “A Malvada”, ela enfrentou o presidente da Fox, Darryl F. Zanuck, insistindo em um aumento de salário. Acabou demitida. E foi banida de Hollywood como lição. Segundo ela, Zanuck teria espalhado para os outros estúdios que ele era muito difícil para se trabalhar.
Como consequência, a MGM a recusou como protagonista do musical “Sinfonia de Paris” (An American in Paris, 1951) ao lado do astro Gene Kelly. A desculpa oficial era que Celeste era “muito cara”. O “castigo” durou cinco anos.
Alta Sociedade, cantando com Frank Sinatra
Exilada de Hollywood, ela retornou aos palcos no papel principal da peça “Anna Christie”, de Eugene O’Neill, e substituiu temporariamente Gertrude Lawrence no famoso musical da Broadway “O Rei e Eu”. Como um pedido de desculpas, a MGM a escalou para duas comédias de sucesso “Armadilha Amorosa” (The Tender Trap, 1955) e “Alta Sociedade” (High Society, 1956) – curiosamente, nas duas produções ela era apaixonada por Frank Sinatra, mas este se interessava mais por Debbie Reynolds e Grace Kelly, respectivamente.
Durante as décadas seguintes, seus trabalhos no cinema foram se tornando cada vez menos expressivos, e ela passou a aparecer frequentemente em séries como “Dr. Kildare”, “O Fugitivo”, “Columbo”, “São Francisco Urgente”, “O Barco do Amor”, “Mulher-Maravilha”, “A Ilha da Fantasia”, “Magnum”, “Falcon Crest” e “Cheers”.
Tom Sawyer
Ela também teve papel fixo nas séries “Nancy” (1970-71), “Archie Bunker’s Place” (1981-83), “Christine Cromwell” (1989-1990) e “Promised Land” (1996-1999). Nesta produção, ela viveu Hattie Greene, personagem que também apareceu em quatro episódios de “O Toque De Um Anjo”. Sua última série foi “The Beat” (2000), em que esteve em todos os 13 episódios da 1ª e única temporada.
A fase televisiva também lhe rendeu indicações a prêmios. Ela concorreu ao troféu Emmy por suas participações na soup opera “Insight” (1967) e na minissérie “Backstairs at the White House” (1979). Entre seus muitos telefilmes, também vale citar “Cinderela”, de 1965, em que viveu o papel da Fada Madrinha.
Três Solteirões e um Bebê, com Ted Danson
Embora não recuperasse a glória de seu começo cinematográfico, Celeste ainda fez alguns papéis marcantes no cinema. Em 1973, ela deu vida à Tia Polly, na versão musical de “Tom Sawyer” produzida pela MGM, a partir do clássico da literatura infanto-juvenil de Mark Twain. Também participou da comédia de sucesso “Três Solteirões e um Bebê” (Three Man and a Baby, 1987).
Incansável aos 95 anos, deixou participações póstumas em duas comédias inéditas, “College Debts” e “Driving Me Crazy”, que só devem chegar aos cinemas em 2013.
Celeste Holm




































