MOSTRA Dilacerante é um termo adequado para definir o islandês “Vulcão” (Eldfjall), de Rúnar Rúnarsson, um drama surpreendentemente honesto sobre, entre outras coisas, a relação entre uma pessoa em estado vegetativo e a família.
Hannes é um patriarca amargurado, que, quando não está reclamando de sua família, se isola em seu barco onde passa horas pescando. Como em um típico dramalhão moralista hollywoodiano, depois de um acidente, Hannes passa a valorizar mais seus familiares, tentando aos poucos uma reaproximação.
Não convém revelar muito mais sobre a trama, repleta de reviravoltas. O roteiro de “Vulcão” tem tudo que os Weinsten mais apreciam produzir, com todos os contornos melodramáticos que a Academia adora premiar.
Seria de fato a grande aposta para o Oscar de melhor filme caso fosse americano – e é claro que é o representante da Islândia para a categoria de filme estrangeiro. Mas o que eleva “Vulcão” acima das tragédias e superações banalizadas pelo cinema americano são a sensível direção e o magnífico desempenho de Theodór Júlíusson, no papel de Hannes.
“Vulcão” funciona em duas chaves simultâneas: segue os trilhos esquemáticos do roteiro (assinado pelo próprio Runársson) e se redime em sua execução, que foge de moralismos e sentimentalismos. Com bastante firmeza, o diretor impõe limites à sua câmera, assumindo uma postura respeitosa aos já bastante expostos personagens.
Por vezes incômoda, a atípica honestidade com que a história de Hannes é abordada promove uma reflexão acerca do quão frágil e bela é a existência humana.






























