Morreu aos 74 anos o diretor de fotografia Bruce Surtees, profissional responsável pelas imagens de mais de 50 produções cinematográficas. Ele foi um dos homens de confiança do cineasta Don Siegel (1912–1991) e também virou parceiro de Clint Eastwood durante a fase de transição do ator para a direção de longas-metragens. Bruce Surtees conquistou uma indicação ao Oscar pela fotografia de “Lenny” (1974), estrelada por Dustin Hoffman.
Bruce Mohr Powell Surtees nasceu em Los Angeles no dia 3 de agosto de 1937 e cresceu respirando cinema. Seu pai, Robert Surtees, conquistou o Oscar por três vezes, pela fotografia de “As Minas do Rei Salomão” (King Solomon’s Mines, 1950), “Assim Estava Escrito” (The Bad and the Beautiful, de 1952) e “Ben-Hur” (1959) – além de ter concorrido ao prêmio outras 11 vezes.
Meu Nome É Coogan
O jovem Bruce, como não poderia deixar de ser, também se interessou por cinema. Estudou no Art Center College of Design e, após carregar cabos e assistir os camaramen do western “Na Trilha da Aventura” (The Hallelujah Trail, 1965), de John Sturges, e do drama de guerra “A Patrulha da Esperança” (Lost Command, 1966), começou a trabalhar com seu pai nos sets de filmagem. Ele foi um dos operadores de câmera de “Meu Nome É Coogan” (Coogan’s Bluff, de 1968) e de “Os Abutres Têm Fome” (Two Mules for Sister Sara, de 1970), ambos dirigidos por Siegel e estrelados por Eastwood.
Siegel aprovou o resultado e “promoveu” Surtees, que ficou responsável pela fotografia de “O Estranho que Nós Amamos” (The Beguiled, 1971), drama romântico ambientado na Guerra Civil Americana. No mesmo ano, ele ainda foi o diretor de fotografia de “Perseguidor Implacável” (Dirty Harry), clássico que deu vida ao mais famoso personagem da carreira de Eastwood, e de “Perversa Paixão” (Play Misty for Me), estreia do ator em sua longa carreira como cineasta.
Perseguidor Implacável
Ao todo, Surtees participou de 14 filmes estrelados por Eastwood, fossem dirigidos pelo próprio ator ou na famosa parceria com Siegel. Ator, diretor e cinematógrafo colaboraram durante toda a década de 1970, até “Fuga de Alcatraz” (Escape from Alcatraz, 1979), mas a parceria com o cineasta Clint Eastwood, que ainda rendeu os westerns clássicos “O Estranho Sem Nome” (High Plains Drifter, 1973) e “Josey Wales – O Fora da Lei” (The Outlaw Josey Wales, 1976), continuou por mais alguns anos.
Durante a famosa parceria, Bruce Surtees passou a ser conhecido nos bastidores como o “Príncipe das Trevas”. Apesar de parecer ofensiva, a alcunha era elogiosa, já que se referia à sua incrível habilidade de trabalhar em cenários pouco iluminados – um terror para fotógrafos menos experientes.
Josey Wales, o Fora da Lei
Enquanto diretores de fotografia davam preferência para mais fontes de luz, Surtees sempre busca trabalhar as sombras, diminuindo a paleta de cores e até dando um ar quase gótico a seus filmes, fato que diferenciou “A Conquista do Planeta dos Macacos” (1972) do restante da franquia.
Seu estilo alcançou o auge em 1975, quando disputou o Oscar pela fotografia de “Lenny”, um drama biográfico dirigido por Bob Fosse sobre a vida do polêmico comediante Lenny Bruce. Filmado em preto e branco e como se fosse um documentário, a obra ganha destaque tanto pela ótima performance de Dustin Hoffman quanto pela fotografia, repleta de atmosfera, numa disputa entre luz e escuridão, durante as cenas de apresentação de stand-up.
Lenny
Surtees permaneceu atuante nos anos 1980, trabalhando com estrelas em ascensão, como Sean Penn em “Juventude em Fúria” (Bad Boys, 1983), Tom Cruise em “Negócio Arriscado” (Risky Business, de 1983) e Eddie Murphy em “Um Tira da Pesada” (Beverly Hills Cop, de 1984).
Ele também foi o diretor de fotografia de outros cinco longas dirigidos e/ou estrelados por Clint Eastwood: “Raposa de Fogo” (Firefox, 1982), “A Última Canção” (Honkytonk Man, 1982), “Impacto Fulminante” (Sudden Impact, de 1983), “Um Agente na Corda Bamba” (Tightrope, 1984) e “O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider, de 1985).
Um Tira da Pesada
A dedicação às câmeras diminuiu na década seguinte, quando Surtees chegou aos 60 anos. Ele trabalhou apenas em filmes de menor expressão e em telefilmes, mesmo assim conseguiu uma indicação ao Emmy pela fotografia do telefilme “Dash and Lilly”, de 1999. Seu último trabalho foi “Joshua”, de 2002.
Bruce Surtees tinha 74 anos quando faleceu na quinta (23/2), vítima de complicações do diabetes. Era casado com Carol Buby, com quem tinha uma filha.
Clint Eastwood, Bruce Surtees e Kyle Eastwood no set de A Última Canção

































