BRASÍLIA O mais antigo e influente festival de cinema brasileiro chega nesta segunda (26/9) ao seu 44º ano sob muita expectativa. Diferente da edição 2010, que também surpreendeu com uma seleção de jovens e audaciosos cineastas – sugerindo um novo norte ao perfil do evento -, o atual Festival de Brasília do Cinema Brasileiro gera curiosidade por outros motivos.
Houve, de fato, mudanças generalizadas na organização do evento, a começar por sua antecipação, saindo de sua data tradicional em novembro para o final de setembro. Caiu por terra, também, a exigência do ineditismo para a inscrição de filmes, a separação de obras por imagem (película e digital competem igual), e a premiação em dinheiro subiu para R$ 250 mil, destinada ao melhor filme.
Rock Brasília: Era de Ouro
A exibição dos filmes também passa a chegar em lugares como Taguatinga, Ceilândia e Sobradinho. O tradicional Cine Brasília continua sendo a sede, apresentando a mostra principal, que abre com o bom documentário “Rock Brasília: Era de Ouro”, de Vladimir Carvalho, exibido fora de competição e já premiado no 4º Festival Paulínia de Cinema Brasileiro, em julho.
Das mudanças, a mais controversa se tornou a aceitação de filmes já exibidos em outros festivais. Dos seis longas selecionados, três já são conhecidos da crítica – “As Hiper-Mulheres”, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (vendedor de melhor montagem e prêmio da crítica no 39º Festival de Gramado), “Meu País”, de André Ristum, e “Trabalhar Cansa”, de Juliana Rojas e Marco Dutra (ambos na seleção do 4º Festival Paulínia de Cinema, sendo que o último levou troféus de melhor som e prêmio especial do júri).
Trabalhar Cansa
Um outro longa-metragem, que também seria inédito, “O Homem que Não Dormia”, do baiano Edgar Navarro (vencedor de Brasília em 2005 com “Eu Me Lembro’), terminou sendo exibido no 7º Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, que aconteceu em julho em Salvador.
De realmente novo, então, o 44º Brasília apresenta apenas dois filmes: um longa de ficção e um documentário.
Meu País
“Hoje”, de Tata Amaral (de “Antônia”), com Denise Fraga e Cesar Troncoso, fala da mudança na vida de uma ex-militante que passa a receber uma pensão do governo pelo desaparecimento de seu marido, vítima da repressão militar no passado.
A segunda novidade vem do Rio de Janeiro, dirigido por Ana Rieper: “Vou Rifar meu Coração”, um documentário que traz a música de Agnaldo Timóteo, Amado Batista, Lindomar Castilho, Wando e Nelson Ned para tratar do imaginário romântico, erótico e afetivo brasileiro a partir da obra dos principais nomes da música popular romântica, também conhecida como brega.
As Hiper-Mulheres
A programação de curtas, por sua vez, contempla dois filmes de São Paulo, dois carioca, dois paranaenses, dois gaúchos, dois do Distrito Federal e dois baianos. Uma curiosa coincidência numerológica.
A propósito de coincidências apressadas, a polêmica em relação à seleção dos filmes vai além da falta de pré-estreias inéditas. Também decorre da velocidade com a qual a comissão responsável pela programação definiu os filmes que iriam concorrer este ano.
Hoje
Segundo divulgação do próprio festival, a equipe responsável por selecionar os filmes se reuniu por oito dias em julho para ver todos os filmes inscritos. Foram 111 longas e 415 curtas. Por uma conta rápida, a média de filmes vistos, por dia, seria a soma impossível de 13 longas (21 horas, em média, de projeção) e 51 curtas (12 horas, em média).
Brasília, por sua condição de capital federal, é uma cidade que se acostumou com as controvérsias. Mas também se falará de cinema durante o Festival, em seminários com o tema “Novas Perspectivas para o Cinema e para o Audiovisual Brasileiro”, que acontecem de quarta-feira (com abertura da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda) até sexta-feira (30/9).
Vou Rifar meu Coração



































