Seguindo a linha de “O Reencontro” (1983), de Lawrence Kasdan, e “Para o Resto de Nossas Vidas” (1992), de Kenneth Brannagh, “Até a Eternidade” fala mais uma vez, mas também com muita delicadeza, sobre amizade e escolhas.
Amigos há mais de 15 anos, um grupo que sempre se reúne para passar férias na praia resolve não desmarcar o programa depois de um acontecimento traumático que, por si só, seria suficiente para abalar os dias que viriam a seguir. Mas, além do fato, mudanças de última hora nas relações já estabelecidas, novidades inesperadas e o aparecimento das “mentiras brancas” do título original chegam para mostrar a inconstância e a perenidade da vida, mesmo em situações que parecem completamente sólidas e eternas.
Apesar de todo o amor que sentem um pelo outro, fatos incômodos invadem sem convite a vida de todos e percorrem rumos que eles não gostariam de ver percorridos, como uma doninha que insiste em perturbar a paz numa casa de praia.
O filme tem como grande destaque o seu elenco de peso, que conta com a presença dos dois atores franceses recentemente premiados com o Oscar, Jean Dujardin (“O Artista”) e Marion Cotillard (“Piaf – Um Hino ao Amor”), e de nomes conhecidos do cinema francês como François Cluzet (“Os Intocáveis”), Benoît Magimel (“A Professora de Piano”) e Gilles Lellouche (“Amor ou Consequência”), e uma direção segura de Guillaume Canet – atualmente em cartaz no Brasil como protagonista do drama “Apenas uma Noite”.
“Até a Eternidade” se ampara na universalidade da mensagem e na consequente identificação do publico para emocionar, embora exagere na duração excessiva – mais de 150 minutos – e na profusão de canções da trilha basicamente incidental, que abusa de músicas americanas populares. A trama também derrapa um pouco no melodrama, mas consegue se equilibrar e ganha forças na história envolvente que conta.
Ao final, consegue tocar o público e cumpre seu papel de ode à amizade.
Até a Eternidade
(Les Petits Mouchoirs, França, 2010)

































