Quando se trata de humor politicamente incorreto, Sacha Baron Cohen é um caso a parte. Rafinha Bastos (“Saturday Night Live”) não chega ao chulé do comediante britânico que fez fama (e fortuna) com o hilariante “Borat” e, no quesito “língua solta” ou “cara-de-pau”, não costuma se demonstrar preocupado com constrangimentos públicos ou conseqüências político-sociais.
Em “O Ditador”, o ator repete pela terceira vez a parceria com o diretor Larry Charles (“Borat”, “Bruno”), mas abandona o estilo mockumentary – documentário falso com objetivo de tirar sarro – que lhe consagrou para investir num longa mais comercial.
A trama, por mais absurda que possa parecer, supostamente utiliza elementos do livro “Zabibah and The King”, escrito por Saddam Hussein, para contar a história do Supremo Líder General Almirante Aladeen (Cohen), ditador disposto a construir uma bomba atômica e assegurar que a democracia jamais chegue à República de Wadiya, país que governa e orgulhosamente oprime.
Como a ONU ameaça com intervenção militar, ele é convencido por seu tio Tamir (Ben Kingsley, de “Gandhi”) a viajar para a América para apaziguar os ânimos do Conselho Mundial em Nova York. O que Aladeen nem desconfia é que seu ambicioso tio cansou das suas excentricidades e pretende matá-lo, para substituí-lo por um sósia, democratizar Wadiya e ratear as reservas de petróleo do país entre conglomerados estrangeiros. Porém, o ditador consegue escapar – não antes de ter sua enorme barba completamente raspada – e agora precisa encontrar uma maneira de por fim a esta conspiração.
Como se pode prever, o longa é repleto de críticas à democracia e à maneira como ela existe atualmente – o sarcástico discurso final de Aladeen fazendo um paralelo entre o regime livre e o totalitário é hilariante – além de incluir diversos ataques à cultura ocidental, de Hollywood ao veganismo.
Cohen continua afiado e sabe como poucos construir um personagem cativante. Amparado pelos coadjuvantes Kingsley, Anna Faris (“Todo Mundo em Pânico”) e Aasif Mandvi (“O Último Mestre do Ar”), ele dispara seus comentários racistas, machistas e pernósticos a torto e a direito –, mas nem sempre atinge o alvo com precisão. Isto porque “O Ditador” é, inegavelmente, o filme mais fraco da carreira do ator. A maioria de suas piadas soa sem graça e algumas gags visuais não funcionam.
O maior problema da obra passa pela escolha de não conter “pegadinhas” com pessoas reais. O que é lamentável. Afinal, as “melhores piadas” de “O Ditador” acabaram ficando fora das telas: as cinzas jogadas sobre o apresentador Ryan Seacrest no tapete vermelho do Oscar, a invasão do Festival de Cannes, o sequestro de Martin Scorsese no “Saturday Night Live” e as mensagens de apoio aos ditadores durante a Primavera Árabe. Não por acaso, quando Megan Fox e Edward Norton interpretam a si mesmos, o filme ganha em graça.
Na ficção, o humor ácido não surge tão afiado. Diverte pouco, como se faltasse a perigosa imprevisibilidade que, por bem ou por mal, definia os filmes anteriores da dupla Larry Charles e Sacha Baron Cohen. “O Ditador! não soube transitar do improviso da vida real para um roteiro tradicional. Mesmo assim, é melhor rir, para não ter a cabeça cortada.
O Ditador
(The Dictator, EUA, 2012)



































3 Comentários
entao me diga filme e mias ilario q esse
Acho que você não entendeu bem o filme, pra dizer que é “inegavelmente o filme mais fraco” do ator e que “a maioria das piadas soa sem graça”. Sem ofença, mas realmente é o que eu penso.
assisti o filme realmente é hilário