Artistas criticam nota de pesar do Ministério da Cultura sobre a morte de Reichenbach

A Ministra da Cultura Ana de Hollanda divulgou nota de pesar sobre a morte do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach, falecido na tarde da quinta-feira (14/6), no site do Ministério. Porém, a mensagem repercutiu mal entre artistas e fãs do diretor, por uma escolha infeliz de palavras.

No texto, a Ministra diz que Reichenbach “foi tachado como autor de filme marginal e da Boca do Lixo. No entanto, apaixonado pelo cinema em si, foi autor de obras-primas”.

O jornalista André Barcinski publicou um texto em seu blog criticando a “homenagem”. “É uma das declarações mais preconceituosas, desconexas e ignorantes que já li”, afirmou. Para Barcinski, o texto mostraria desconhecimento da história do cinema brasileiro e do cinema paulista por parte da Ministra.

O crítico se incomodou com a afirmação de Ana de Hollanda de que Reichenbach teria sido “tachado” como autor de filme marginal e da Boca do Lixo. “A frase inteira dá a entender que Carlão fez obras-primas ‘apesar’ de ser associado ao cinema marginal e da Boca do Lixo”, escreveu. “A Boca do Lixo foi um dos capítulos mais bonitos de nosso cinema, um oásis de liberdade e independência, uma célula de resistência que teimava em sobreviver num cinema quase sempre dependente do Estado. E o Estado brasileiro, desde sempre, fez questão de varrer o cinema da Boca do Lixo para baixo do tapete oficial”, ensinou.

Ele não foi o único a se mostrar indignado com o texto. Mais críticas à nota vieram à tona Twitter.

“A ‘nota de pesar’ do MinC é tão quase grave quanto a morte do Carlão, que falta de noção! Carlão iria zoar da nota de pesar do @minc”, afirmou o ator José de Abreu. O escritor Ronaldo Bressane chamou a Ministra de “cretina” e criticou sua “ignorância” em relação à obra de Reichenbach.

O professor e escritor Idelber Avelar postou mensagem em que denunciava o “completo desconhecimento de quem era o falecido” por parte da Ministra. Ele também diz que ela tem preconceito de classe por ter entendido que a Ministra usou as palavras ‘marginal’ e ‘do Lixo’ “como xingamentos, não como escolhas estéticas”.

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Leia a íntegra da nota do Ministério da Cultura

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“Ministra Ana de Hollanda lamenta o falecimento do cineasta Carlos Reichenbach.

A cultura brasileira acaba de perder o grande cineasta Carlos Reichenbach. Sentiremos sua falta.

Um cineasta inquieto, vanguardista que, por trilhar caminhos menos usuais entre os cineastas tradicionais, foi taxado como autor de filme marginal e da Boca do Lixo.

No entanto, apaixonado pelo cinema em si, foi autor de obras-primas como Anjos do Arrabalde e Álma Corsária, entre outras.

Solidarizo-me com sua família, amigos e admiradores nesse momento de abatimento.”

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+ Ingridy Peixoto

Ingridy Peixoto estuda Jornalismo na Universidade de Brasília e não vive sem música, livros e cinema. Tudo isso sem deixar de passar um tempo no mundo da lua.

1 Comentário

  • Julio Gomes Identicon Icon Julio Gomes
    12 de julho de 2012 | Permalink | Responder

    O presente artigo também se equivoca ao aplicar o “(sic)” à expressão “tachado” no 4 parágrafo, como se a palavra estivesse grafada incorretamente. A expressão está escrita CORRETAMENTE com “ch”, no sentido de rotular – ao contrário do texto da Ministra, como podemos observar na transcrição integral, ao final, onde ela aparece escrita equivocadamente com “x”, o que lhe dá um outro sentido: o de tarifar. A aplicação do “(sic)” caberia no segundo parágrafo, caso a grafia original do texto da ministra fosse mantido, o que não aconteceu na citação. Veja aqui a diferença: http://www.brasilescola.com/gramatica/tachar-ou-taxar.htm

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