Paolo Sorrentino é um diretor napolitano de 42 anos que foi elogiado por aqui com “O Divo” (2008), sobre a vida do político italiano Giulio Andreotti que, por sete vezes, assumiu o cargo de primeiro ministro de seu país. Agora, ele nos apresenta um personagem americano, numa espécie de road movie através dos Estados Unidos.
Em “Aqui É o Meu Lugar”, Sean Penn (“Milk”) interpreta um astro de rock há décadas aposentado, mas que continua rico, morando numa mansão na Irlanda, vendendo discos e cultuado por um vasto contingente de admiradores. O motivo da interrupção na carreira é o fato dela, de algum modo, ter servido de mau exemplo para uma dupla de jovens que morreram. Não somos informados inteiramente do que se passou, mas esse é o estilo do filme, que se desenvolve por meio de acontecimentos mais sugeridos do que explicados.
O detalhe é que o ex-artista continua se vestindo do mesmo modo que no tempo em que cantava, sempre de preto, com o rosto pintado de branco e a boca de baton vermelho como um roqueiro gótico. Uma figura um tanto tristonha e patética, lembrando a máscara de um ator de teatro kabuki e, claro, o cantor Robert Smith, da banda The Cure.
O personagem se movimenta meio que cambaleando e só fala em voz baixa e contida, quase num sussurro. Parece deprimido, mas, segundo a esposa interpretada por Frances McDormand (“Queime Depois de Ler”), está apenas entediado. Até que o pai morre e ele vai para o enterro em Nova York, onde fica sabendo que o ancião passara a vida perseguindo um dos derradeiros criminosos nazistas ainda vivo e que o humilhara em Auschwitz. A narrativa se complica quando o cantor decide continuar aquela missão e parte em busca de vingança.
O texto do próprio Sorrentino se mostra pretensamente sofisticado ao semear o caminho do protagonista com episódios insólitos, como o encontro com o inventor da mala com rodinhas – acessório que, aliás, o roqueiro usa o tempo todo. A movimentada trilha sonora de David Byrne, por outro lado, compensa o clima depressivo que tende a predominar.
Destoando de seus trabalhos anteriores e talvez por imposição do próprio personagem, a atuação de Sean Penn se mostra aparentemente monocromática, deixando para os olhares do ator todas as nuances necessárias ao entendimento das situações. Outro recurso que auxilia a sua composição é o inesperado humor de alguns diálogos. Por exemplo, percebendo que ele está viajando pelo interior da América, sua esposa lhe pergunta ao telefone se ele anda em busca de si mesmo. Ao que ele responde que não: isso seria se ele estivesse… na Índia.
Aqui É Meu Lugar
(This Must Be The Place, EUA, 2012)

































