Angelina Jolie quase ganha superpoderes no exagerado Salt

“Salt” traz Angelina Jolie no papel de uma super agente secreta da CIA. Super mesmo, do tipo que se joga de um viaduto de 15 metros de altura sobre um caminhão em movimento e, de lá, salta para um trem de carga, sofrendo apenas um arranhão que ela cura com uma gota de mertiolate. Tudo isso de baixo de bala e cercada por uma multidão de atiradores profissionais.

Essa mal descrita cena é uma das centenas que constituem a trajetória de uma heroína que faria inveja à “Mulher Maravilha” (aquela que Linda Carter estrelou na TV em 1975) ou ao próprio Batman – o qual, numa direção contrária, vem se humanizando a cada filme.

Trata-se de uma superprodução que aposta no estrelismo total da atriz que, apesar de seu físico mais para modelo do que para guerreira, acaba matando a tapa centenas de bandidos e salvando o mundo de uma guerra total.

O diretor é o australiano Phillip Noyce que, em 2003, foi aplaudido por “O Americano Tranquilo”, um filme de espionagem especialmente sofisticado, a partir de um livro de Graham Greene. Mas aqui a sofisticação é confundida com complicação e a espiã troca de lado com a mesma facilidade com que muda a cor de cabelo.

Ninguém poderá reclamar que a personagem é unidimensional porque, na verdade, ela parece um cruzamento de Houdini, o mestre das fugas impossíveis, com o velho Lon Chaney das “mil caras”. Chega a ser constrangedora a sequencia em que Angelina se finge de homem e “ninguém percebe”.

Mas a culpa é do roteirista Kurt Wimmer, que ainda maquia a história com a pretensiosa e já desgastada idéia de uma conspiração neosoviética, supostamente iniciada com o assassinato de Kennedy. Depois do péssimo “Ultravioleta” (2006), em que Milla Jovovich também tinha várias cores de cabelo, Wimmer adotou um estilo pop em que tudo é permitido para suas heroínas, mesmo que a trama não tenha a menor lógica.

Imagem de Amostra do You Tube

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Salt

(EUA, 2010)

Lançamento em DVD e Blu-ray

 ★★½☆☆ 

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Leia também a entrevista com a atriz:

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+ Luciano Ramos

Luciano Ramos é escritor, crítico de cinema e professor dos cursos de pós-graduação da FAAP. Escreveu as minisséries "Avenida Paulista" e "Moinhos de Vento", além da novela "Champanhe" da Rede Globo, dirigiu o Departamento de cinema da Rede Bandeirantes, editou o “Guia de Filmes e Vídeo" da Editora Nova Cultural, é autor do livro “Os Melhores Filmes Novos” (Editora Contexto, 2009) e apresenta o programa Cinema Falado na Rádio USP.

1 Comentário

  • Mariana Identicon Icon Mariana
    30 de julho de 2010 | Permalink | Responder

    Não achei o filme ruim. Achei que mesmo com o exagero de muitas cenas, o filme te prende, e faz com que fiquemos nervosos, nas cenas de ação, tristes, durante a morte de seu marido, e apreensivos, faz com que tenhamos os sentimentos da personagem.
    Achei que o filme perdeu pontos, nos exageros e confusões, mas independente disso, a talentosa angelina jolie já compensa o preço do ingresso.

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