
Depois de “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Desejo e Perigo”, a última coisa que se podia esperar de Ang Lee era um filme sobre Woodstock, o festival símbolo de toda uma geração. Mas o que Lee gosta mesmo é de variar entre estilos e épocas e lá foi ele dar a sua versão para o momento histórico.
Woodstock aconteceu em 1969 e levou à pequena cidade de Bethel, no estado de Nova York, mais de 500 mil pessoas. Além da presença de grandes nomes da música, como Santana, Janis Joplin, Creedence, The Who, Joe Cocker e Jimi Hendrix, o evento chamou a atenção pelo caráter antibelicista e pela demonstração de como a nova geração se comportaria a partir de então.

Existem vários relatos sobre os três dia de música, mas foi no livro de Elliot Tiber, jovem representante da Câmara Comercial de Bethel e responsável pelo contato com os realizadores do evento, que Ang Lee focou sua história.
E é com a família de Elliot que acompanhamos toda a revolução de que o festival foi símbolo. Experiências sexuais, ideológicas e sociais acontecem e Elliot termina o filme bem diferente daquilo que era no começo.
O filme segue a mesma liberdade pregada no momento histórico, mas ainda não consegue se afastar totalmente de algumas convenções e crenças do diretor taiwanês, que acha, por exemplo, que a presença de personagens pode explicar mais do que outras imagens.

Visualmente, muita cor, luz, a melhor imagem de uma viagem de ácido e, mais uma vez, o uso da tela dividida. Se em “Hulk” o estilo queria passar a estética de uma história em quadrinhos, agora ele claramente traz de volta imagens que já conhecíamos, remetendo diretamente à técnica utilizada no famoso documentário do festival, “Woodstock” (1970), de Michael Wadleigh, que tinha numa das câmeras, como assistente, um jovem estudante de cinema chamado Martin Scorsese. As imagens do documentário, vencedor do Oscar, e a iconografia da capa e encarte do LP com a trilha oficial do evento são referências para muitas das cenas.
E a lembrança de um tempo que nem todo mundo na sala teve oportunidade de vivenciar, mas conhece bem, é fundamental para o sucesso do filme, pois minimiza os efeitos negativos de sequências longas demais, passagens desnecessárias e até da trilha sonora sem personalidade de Danny Elfman.

Os defeitos também são menores do que a qualidade do elenco escolhido. O casal Teichberg, vivido por Henry Goodman e Imelda Stauton, rouba todas as cenas de que participa e é injusta a definição da interpretação da atriz inglesa como exagerada e caricata. O iniciante Demetri Martin, que dá vida ao protagonista Elliot Tiber conquista o público de imediato, assim como o irresistível Jonathan Groff, como Michael Lang, o produtor e criador do festival. Participações de Paul Dano, Emile Hirsch, Eugene Levy e Liev Schreiber (de vestido!) dão um toque a mais.
No final das contas, “Aconteceu em Woodstock” é um filme bem cuidado e que diverte o público com competência, além de trazer de volta a importância de uma geração que ajudou a criar a identidade do que somos hoje e despertar uma certa nostalgia.
Aconteceu em Woodstock
(Taking Woodstock, EUA, 2009)
Lançamento em DVD e Blu-ray
































1 Comentário
Sim, provavelmente por isso e