Demorou até que Abbas Kiarostami, principal diretor iraniano da atualidade, saísse do seu país para contar histórias em outras paisagens. Resolveu fazê-lo com um roteiro sobre relacionamentos e sobre o que é autêntico ou reles cópia.
O cenário escolhido para a discussão foi a região da Toscana italiana, cuja beleza contrasta com a falta de romantismo em que viverá a dupla principal do filme. Ali, a rotina tranquila do povoado inspira a instropecção.
James Miller é um escritor britânico que ganhara renome com o lançamento do seu novo livro, Copie Conforme, sobre o mercado de cópias das obras de arte, que está na Itália para uma palestra. Elle é uma admiradora que o convida a fazer um passeio por Lucignano, na Toscana. O escritor aceita o convite.
A conversa entre os dois inicia-se como relação ídolo-fã e aos poucos transforma-se em discussão de relacionamento, como se fossem marido e mulher, numa construção de relacionamento que nunca fica clara. E isso não importa.
O interessante é a brincadeira que Kiarostami faz sobre o que é autêntico ou cópia, entre o real e o irreal, entre o que tem ou não valor e intensidade na vida. Ele mesmo coloca na boca de um dos seus personagens, à certa altura: “não há nada de simples em ser simples”. É a síntese desta sua nova obra. Não é simples entendê-la e não é simples gostar dela.
Como este é um filme sobre um casal (ou pseudocasal), era preciso encontrar atores que segurassem o abacaxi com vontade. Juliette Binoche (“O Paciente Inglês”) o fez como nunca. Premiada no Festival de Cannes 2010, ela está entregue e naturalmente bela. Em contrapartida, o estreante em cinema William Shimell entrega uma atuação apática, antipática e ofuscada pela experiente parceira.
O longa possui sequências ótimas, como a discussão bilíngue entre o inglês e a francesa, e a forma com que a personagem feminina se mostra cheia de camadas, mas nunca perde a coragem de enfrentar o outro, denotada pelos olhares diretos constantes para a câmera, desconsertantes.
O diretor faz, sim, um bom filme e sua proposta é clara, mas a trama intrincada e ritmo arrastado fazem com que, ao contrário de sua obra-prima “Gosto de Cereja” (1997), não seja prazeroso assistir “Cópia Fiel”.
Kiarostami construiu uma relação ambígua como se fosse uma relação real, original, mas convenhamos: discutir relacionamento é chato e fica ainda mais maçante quando se é apenas o espectador.
Cópia Fiel
(Copie Conforme, França/Itália/Irã, 2011)




































1 Comentário
Sua crítica é péssima: fraca e superficial, sequer toca nas principais questões do filme ou da obra de Kiarostami. Você definitivamente não me parece um conhecedor da sétima arte. Já ouviu falar de Rosselini? Procure se informar melhor. Ah! E não deixe de assistir ao filme sem o preconceito hollywoodiano de que todo filme deve ter ação.