O chileno Matías Bize é conhecido dos cinéfilos, já que seus três últimos longas passaram no Festival do Rio: “Na Cama” (em 2006), “O Bom de Chorar” (em 2007) e este que finalmente chega ao circuito comercial, “A Vida dos Peixes” (2010). Com uma estrutura que se apóia quase 100% nos diálogos e na interpretação, o filme fala sobre as marcas deixadas por um rompimento mal-resolvido.
Andrés escreve guias de turismo e vive em Berlim há dez anos, mais ou menos o tempo que tem de separado da grande paixão de sua vida, Beatriz. Assim como o personagem de George Clooney em “Amor sem Escalas”, ele vive viajando e isento de grandes laços de afeto. Com o agravante de estar entre dois mundos: é um estrangeiro onde fixou residência e já não pertence mais ao Chile. É nesse estado de ânimo que ele retorna ao país natal para se desfazer definitivamente de seus bens, ou seja, para realizar a ruptura definitiva. Mas um último encontro com os amigos e com Beatriz pode reabrir diversas feridas do passado.
O que muito impressiona no filme é sua, digamos, economia. “A Vida dos Peixes” nunca se alonga além do necessário, o que fica ainda mais evidente na precisão cirúrgica de seu desfecho. Bize – que também é co-autor do roteiro – revela toda a vida interior daqueles personagens através de diálogos que nunca soam explicativos e, principalmente, de atuações na medida certa de todo o elenco. Andrés tem a tendência a fugir de seus problemas ao invés de encará-los e Beatriz parece ter uma percepção mais clara disso do que ele mesmo. Grande destaque para o monólogo dela, que deixa Andrés claramente sem palavras diante de sua corajosa atitude.
Não que isso tenha muita importância, mas um filme tão legal poderia ter um título melhor. A explicação de que peixes nadam e não chegam a lugar nenhum e as cenas diante do aquário não anulam o fato de que o título é desinteressante.
A Vida dos Peixes
(La Vida de los Peces, Chile, 2010)
































