O Ministério da Justiça suspendeu nesta sexta (29/7), por meio de uma recomendação do Ministério Público de Minas Gerais, a exibição nos cinemas de “A Serbian Film – Terror sem Limites”. Programado para estrear em circuito comercial no dia 5 de agosto, o longa teve o processo de classificação indicativa suspenso por ser acusado de incitar a pedofilia e a violência. Isto significa, na prática, que a obra do diretor sérvio Srdjan Spasojevic não pode ser exibida no Brasil.
Na sexta passada, a única cópia em 35mm do filme no país foi apreendida pela Justiça no Rio de Janeiro, por determinação de uma juiza da Vara da Infância e da Juventude, em resposta a manifestação do partido DEM. O filme seria exibido durante o festival RioFan, de cinema fantástico, após ter passado sem problemas por Porto Alegre (no Festival Fantaspoa) e São Luís (Festival Lume).
A Justiça brasileira não interditava um filme há 26 anos, desde “Eu Vos Saúdo Maria” (1985), de Jean-Luc Godard, no final da ditadura militar.
O filme também foi censurado em países como Espanha, Reino Unido e Noruega. Conta a história de um ator pornô com problemas de dinheiro, convidado a participar de um filme em que tudo pode acontecer. E o que acontece são cenas polêmicas, que envolvem até sexo com um recém-nascido – na verdade, um boneco, como demonstra o making of do filme.
Apesar da polêmica pelo conteúdo indigesto, o responsável pela distribuição do filme no país, Raffaele Petrini, afirmou em entrevista que o filme é “entretenimento puro”, lembrando que as mesmas acusações foram feitas no Brasil ao clássico “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, que ficou vários anos proibido de ser exibido no país. “É um filme inovador, que está fazendo história não só por suas polêmicas, mas também por explorar os limites do que pode ser filmado”, afirmou.
Petrini ainda explicou que, mesmo com a curiosidade que a proibição deve despertar no público, as complicações não compensam. “A suspensão abre um precedente para a censura no país, gerando medo de distribuir obras provocadoras”, afirmou.
Entidades como a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), a Associação dos Roteiristas (AR), a Associação Brasileira dos Documentaristas (ABD), o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) e o Conselho Nacional de Cineclubes (CNC) se posicionaram contra a proibição do filme.
Raffaele Petrini disse que sua empresa vai recorrer da decisão, usando, como argumento de defesa, fotos do making of que detalham as filmagens e mostram o uso de bonecos, evidenciando que nenhuma criança ou mulher foi submetida à violência física ou sexual. Algumas imagens do making of ilustram este post. Além disso, a Jinga Films, agente de vendas internacional do filme, enviou um documento ao governo brasileiro garantindo que “nenhuma criança foi exposta de qualquer maneira ou presente nas cenas em que aparecem”.
“O Ministério Público acusa o filme de ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe a reprodução de cenas reais ou a simulação de violência contra um menor de idade. Não é o caso de ‘Serbian’, pois as cenas do filme foram gravadas com um robô e com moldes de argila cobertos com látex, simulacros de corpos”, esclareceu Petrini.
Sócio de uma pequena distribuidora sediada no Maranhão, Petrini pagou US$ 10 mil pelos direitos de distribuição do filme no país. “O filme tem suscitado polêmica por onde passa, mas não esperávamos que se tornasse uma questão nacional e isso aumentou o nosso custo: agora temos de lidar com advogados, por exemplo”, reclamou Petrini, que ainda se segura na esperança de poder exibi-lo.


































