COMIC-CON O painel de “O Vingador do Futuro”, remake da sci-fi estrelada por Arnold Schwarzenegger em 1990, foi um dos destaques da 42ª edição da Comic-Con de San Diego – e por méritos próprios. A reputação do original pode ter despertado a atenção inicial, mas foi a equipe atual, com seu carisma e bom humor, que inspirou confiança no público.
Len Wiseman (“Anjos da Noite”) assume a direção, com base no roteiro de Kurt Wimmer (“Salt”). Colin Farrell (“Alexandre”), que também esteve na convenção para apresentar o terrir “A Hora do Espanto” – outra refilmagem, curiosamente – , ficou com o papel que foi de Schwarzenegger. Bryan Cranston (série “Breaking Bad”), Jon Cho (“Star Trek”), Jessica Biel (“Esquadrão Classe A”) e Kate Beckinsale (franquia “Anjos da Noite” e mulher do diretor) completam o elenco e a mesa de bate-papo.
À princípio, o diretor desculpou-se pelo material que estaria apresentando. “Estamos no meio de processo de filmagens e não temos o suficiente para montar um trailer, então vamos mostrar a primeira sequência que filmamos, que ainda está bem crua”, disse Wiseman.
O comentário condescendente minguou as expectativas dos presentes, mas o vídeo que veio a seguir levantou os ânimos: um clipe repleto de ação, que remeteu justamente à primeira cena do “Vingador do Futuro” original, na qual Doug Quaid, o personagem de Schwarzenegger, acordava em uma realidade completamente diferente depois de ter uma memória implantada.
Quaid agora ganha as formas menos musculosas de Colin Farrell, cujos talentos dramáticos, ao menos, são bem mais aparentes que os de Arnold. Mas as diferenças entre ambos são motes de piada para o ator irlandês. “Meu personagem é um austríaco que sobe na vida como fisiculturista, faz carreira no cinema e depois ingressa na política”, brincou Farrell.
Na verdade, Doug Quaid é um operário de fábrica em New Shangai, um dos estados-nação de um futuro apocalíptico. Vilos Cohaagen (Cranston) é o líder do estado rival Euroamérica, que planeja invadir a porção asiática com a desculpa de defender seu povo, quando na verdade almeja apenas estender o alcance de seu poder. Nesse cenário, o personagem de Farrell começa a acreditar que é um espião – mas não sabe a qual lado serve.
Segundo Wiseman, a forma que o roteiro desenvolve esse enredo foi o que o atraiu à direção. “Amei o roteiro, e já amava tanto o filme original quanto a história de Philip K. Dick”, disse, referindo-se à obra original do cultuado escritor de ficção científica, também autor de outras histórias adaptadas para o cinema, de “Blade Runner” (1982) a “Minority Report” (2002) – este último com Farrell no elenco.
O diretor também elogia o potencial do conflito do protagonista. “Me fascinei pelo aspecto de realidade vs fantasia e queria mergulhar o máximo possível na luta interna do personagem”, afirmou.
O contraponto do que é real e o que é fantasioso, aliás, foi o alicerce para a composição dos personagens, e especialmente importante para Cranston, cujo tipo de vilão poderia descambar para um samba de uma nota só. “As sequências são plausíveis, porque queremos que a plateia invista nos personagens e na história em si. Quanto mais envolvido está o público, mais ele aproveitará o passeio quando surgirem as explosões e coisas do tipo”, comentou o ator.
E Farrell, que passou um tempo investindo em filmes menores, confessou que estava mesmo saudoso pelas explosões de uma superprodução. “Estava alimentando a ideia de fazer um filme de escopo maior, e surgiu este. Amei o original e, quando li o roteiro, vi que era diferente o suficiente para se sustentar sozinho”, defendeu.
Falando em diferenças e comparações, Kate Beckinsale arrancou risos gerais quando lhe perguntaram sobre assumir o papel que, originalmente, foi interpretado por Sharon Stone. “Agora estou intimidada, mas estava de boa antes de me perguntarem a respeito”, disse a atriz. Farrell não tardou a entrar no clima, dizendo que ela deveria se intimidar se tivesse que substituir Sharon em um possível remake de “Instinto Selvagem”.
“Estou cruzando as pernas por baixo da mesa agora mesmo”, rebateu Kate, provocante – ao que Colin correu para espiar debaixo da toalha. Brincadeira arriscada, considerando que o marido da moça – o diretor do filme – estava sentado logo ao lado.
“Não estamos tentando recriar ou competir com o outro filme e os atores”, disse Beckinsale, por fim, quando as risadas cessaram. “A tonalidade dessa versão é diferente, e creio que a relação que eu e Colin estabelecemos é apenas levemente análoga a que Arnold e Sharon tiveram”, explicou.
A atriz também falou sobre se engalfinhar com Jessica Biel em uma das muitas sequências de luta do filme. “Foi difícil bater meu cotovelo contra um dos rostos mais bonitos do mundo”, comentou Kate, que temia quebrar o que chamou de um “nariz de 3 bilhões de dólares”.
Ao final, Wiseman discursou sobre a sua intenção de criar o máximo do visual possível sem o auxílio de computação gráfica. “Como diretor, você prefere filmar o máximo possível da melhor maneira que puder construir, e a melhor maneira de criar é colocando os elementos no set e rodando”, defendeu Wiseman.
A construção física, segundo o cineasta, faz grande diferença na percepção do espectador. “Acho que há uma diferença entre um efeito visual realmente bom e algo simplesmente real”, afirmou. O público ainda vai demorar um pouco para conferir se esse realismo será convincente: “O Vingador do Futuro” só estreia em agosto de 2012.



































