A magia da ficção não funciona em A Ilusão Cômica

MOSTRA Metalinguagem não é e nunca foi um terreno seguro, seja qual for a forma de arte em que se dê. É raro obras que passam ilesas aos extremos fatais do recurso metalingüístico – quando o brilhantismo não é alcançado, toda a pretensão fica exposta.

É o que acontece com “A Ilusão Cômica” (L’Illusion Comique), projeto de filme feito para a televisão francesa, dirigido pelo ator Mathieu Almaric (“Turnê”) a partir do texto de uma peça de sucesso de Pierre Corneille.

Um sujeito burguês sai a procura de seu filho e encontra um mago capaz de lhe mostrar tudo que aconteceu recentemente na vida do rapaz. O jovem Clindor (Loïc Corbery) teria se envolvido em um arriscado jogo amoroso que envolve morte, dinheiro e disfarces.

No teatro, a trama dialogava com o aspecto mágico do palco, a própria essência da arte do ator. Ao utilizar o mesmo texto, sem adaptações, Almaric retira o motivo de ser da obra, que ao cinema é uma mera colagem do que é pertinente ao teatro.

Todos os diálogos se dão em rimas e os atores, egocêntricos ou mal dirigidos, são incapazes de torná-los minimamente interessantes. Almaric, nada inspirado, quando não indiferente à mise en scène, filma de forma burocrática e parece esquecer-se que conta uma história sobre a magia da ficção.

Entender a intersemiótica é justamente o que faltou à este “A Ilusão Cômica”, não só para fazê-lo interessante, mas, sobretudo, para validá-lo como obra cinematográfica.

+ Lucas Procópio

Lucas Procópio, estudante e amante do cinema, espectador descontrolado e aspirante a cineasta.

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