“O Hobbit”, aguardado prólogo de “O Senhor dos Anéis”, seria dividido em dois filmes. Agora, pode virar uma trilogia. As filmagens duraram quase um ano e acabaram na semana passada. Contudo, Peter Jackson já pensa em voltar para a Nova Zelândia para registrar novas cenas. Imagens do novo formato revolucionário do filme seriam apresentadas pela primeira vez ao público na Comic-Con. Mas em vez de projetar a alta definição tridimensional dos 48 fps (frames por segundo), as cenas foram exibidas na velocidade padrão de 24 fps.
Estas idas e vindas fazem justiça ao subtítulo escolhido para a primeira parte da história, “Uma Jornada Inesperada”. Mas mais ainda ao subtítulo da segunda parte: “Lá e de Volta Outra Vez”. Na verdade, assim poderia ser resumida toda a história desta produção, cujos falsos começos vêm desde seu anúncio, passando pela paralisação do projeto, em meio à crise financeira do estúdio MGM.
Após o desgastante processo de filmar “O Senhor dos Anéis”, Jackson não pretendia dirigir “O Hobbit”, que seria comandado por seu amigo Guillermo Del Toro. Mas as filmagens foram atrasadas em mais de dois anos. Del Toro cansou de esperar.
“Como produtor, eu sabia que o filme teria de acontecer em algum momento e era minha responsabilidade assumir isso”, disse Jackson na Comic-Con, explicando porque decidiu se tornar o diretor do projeto. “A partir daí começamos a fazer o filme para nós mesmos”, emendou.
Com Jackson, os fãs ganharam não apenas um cineasta talentoso, mas um senso de continuidade. O diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis” conhece como ninguém o universo cinematográfico da Terra Média. Tanto que decidiu tomar várias liberdades em relação ao livro original de J.R.R. Tolkien, para melhor integrar os personagens das duas histórias. E nenhum defensor da obra clássica reclamou.
Curiosamente, filmar as histórias na ordem inversa nunca foi seu plano. Na Comic-Con, ele finalmente contou qual era sua ideia original. Por incrível que pareça, em retrospectiva, ele sempre planejou começar com o “Hobbit”.
O diretor contou que teve um primeiro encontro com o produtor Harvey Weinstein em 1995 para comprar os direitos cinematográficos de “O Hobbit”. “A ideia era: se fizer sucesso, depois tentamos fazer ‘O Senhor dos Anéis’. Mas quando fomos checar, ‘O Hobbit’ não estava mais disponível, porém ‘O Senhor dos Anéis’ sim”, explicou.
O sucesso de “O Senhor dos Anéis” permitiu um acordo para levar às telas o primeiro livro da história. A partir daí, os problemas começaram. Com tantos atrasos, o elenco também colocou o projeto em dúvida. o ator Ian McKellen, intérprete de Gandalf na trilogia original, confessou que relutou em voltar ao papel após a passagem de tanto tempo – entre a estreia de “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” e “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” terão transcorrido dez anos. “Não queria fazer Gandalf de novo, mas adorei depois”, admitiu no painel do filme na convenção.
Já Andy Serkis, que dá expressões, movimentos e voz à criatura Gollum, foi na direção oposta, dizendo que nunca conseguiu se esquecer do personagem. “Ele nunca esteve longe, todo dia havia um confronto diário comigo”, comentou. “Foi maravilhoso voltar a trabalhar com Jackson. Ele deixa eu gravar a mesma cena diversas vezes, por vários câmeras, ou seja, tivemos muita mais possibilidade de captar minhas expressões”.
“Todos dizem que os fãs são fanáticos, mas nós também somos”, acrescentou McKellen. “Ninguém é tão louco por cinema e por essa saga quanto a gente”, concluiu o ator de 73 anos, demonstrando a mesma disposição dos adolescentes que foram ao evento vestidos como os personagens da saga. Por curiosidade, um dos fãs era brasileiro e lhe passou uma camiseta da seleção de futebol, que ele fez questão que aparecesse nas fotos.

Além dos dois atores já conhecidos da franquia, o outro destaque da história é o personagem que lhe dá título. Em “O Senhor dos Anéis”, Bilbo Bolseiro era apresentado já velho, interpretado por Ian Holm. O novo filme foca sua juventude, por isso foi necessário encontrar um novo intérprete para o famoso hobbit. A escolha de Martin Freeman foi bancada por Jackson, a ponto de atrasar ainda mais as filmagens. O diretor decidiu esperar o ator encerrar as gravações da série britânica “Sherlock” para poder contar com ele na produção.
Freeman disse que nunca se sentiu intimidado por ser o novato da turma. “Você não pode se sentir intimidado ou pressionado, senão não consegue render como deveria”, observou. Ele ainda acrescentou que se divertiu muito contracenando com Serkis.
O vídeo de 12 minutos, que Jackson debutou na Comic-Con, trouxe algumas imagens da interação cômica entre Bilbo e Gollum, além de um momento terno entre Gandalf e a elfa Galadriel, vivida por Cate Blanchett, a descoberta do Anel precioso por Bilbo e uma participação especial de Elijah Wood, retomando o saudoso Frodo de “O Senhor dos Anéis”.
“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” será lançado em 14 de dezembro de 2013. Mas antes disso Peter Jackson pretende voltar a filmar novas cenas na Nova Zelândia. “Eu certamente quero filmar muito mais”, disse o cineasta com um sorriso no rosto. E ainda ironizou, ao informar que a duração da primeira parte deve “girar em torno de 2h30 a 3 horas”.
Ele confessou não saber ainda se usará as novas filmagens em versões estendidas ou em um terceiro filme. Sim, ele já admite a possibilidade de fazer uma nova trilogia passada na Terra Média. De fato, faz sentido, se cada filme tiver 3 horas, dividi-los em três longas de 2 horas cada. Faz sentido especialmente para o estúdio Warner Bros. Sem querer, querendo, a Warner pode ter encontrado o substituto de “Harry Potter” em seu calendário de lançamentos voltados aos fãs de aventuras mágicas, garantindo uma franquia de blockbusters pelos próximos três anos.
“Crianças que não eram nascidas há 10 anos nos escrevem ainda hoje dizendo como foi ver ‘O Senhor dos Anéis’ pela primeira vez”, contou Jackson. “Assim, sabemos que a história que começamos lá atrás não vai acabar nem com o final de ‘O Hobbit”.



































1 Comentário
Tomara que sejam três filmes, além de serem mais filmes pra assistir , será melhor três filmes de 2 horas do que dois de 3 , 3 horas de filme serão muito cansativas.
E por mim mais que uma nova trilogia poderiam adaptar tambeém os outros livros sobre a terra média seria otimo ver um filme contando coisas como o principio da terra média e a ascensão de Sauron.