Kate Beckinsale volta ao apertado látex preto, agora em 3D e em IMAX, para estrelar “Anjos da Noite: O Despertar”, quarta parte da franquia que a projetou. A produção, sob o comando da dupla de suecos Måns Mårlind e Björn Stein (“O Abrigo”), manteve a tradição das obras anteriores, sendo desprezada pela crítica e abraçada pelo público. O filme estreou em 1º lugar nos Estados Unidos, arrecadando US$ 25 milhões – número de abertura que só fica atrás do segundo capítulo da saga, “Anjos da Noite: A Evolução”, que estreou com US$ 26 milhões em 2006.
O subtítulo “O Despertar”, de certa forma, tem tudo a ver tanto com a situação da franquia quanto com a carreira de Kate. Apesar de apresentar bons números, a batalha entre vampiros e lobisomens arrecadou menos a cada filme – e o terceiro capítulo se deu ao luxo de ignorar sua principal estrela. Paralelamente, Kate também não conseguiu fazer sua carreira decolar e seu filme de maior repercussão depois de ganhar os holofotes foi “Terror na Antártida” (2009), um fracasso retumbante. Mesmo apelando com uma calorosa cena de banho (em pleno continente gelado), a produção arrecadou US$ 12 milhões – e custou US$ 35 milhões.
Mas a justificativa para o quarto “Anjos da Noite” é, claro, outra. Len Wiseman (responsável pelos dois primeiros capítulos) criou uma história que valia a pena ser contada. “Eu realmente não tinha a intenção de fazer outro, sempre ouvi dizer que (a franquia) era uma trilogia. Além disso, eu me perguntava como um quarto filme poderia ser interessante, como poderia ser diferente”, confessou a atriz, durante entrevista para divulgar a produção. “Mas a história realmente me interessou”.
A trama, que agora vai ao futuro (o filme anterior voltou mil anos no passado), mostra Selene (Beckinsale) acordando de um coma após 12 anos e se dando conta de uma nova realidade, onde os humanos têm conhecimento da existência dos vampiros e criaram uma empresa que utiliza lobisomens modificados em laboratório para exterminar sua raça. Ela também descobre que tem uma filha de 14 anos (India Eisley, da série “A Vida Secreta de uma Adolescente Americana”), híbrida das duas raças inimigas – e bastante poderosa.
A história criada por Wiseman, marido de Kate, também pode ser vista como um paralelo com a atual situação da franquia – que precisa de sangue novo. Quando o primeiro “Anjos da Noite” chegou aos cinemas, em 2003, a “Saga Crepúsculo” não passava de uma fantasia na cabeça de Stephenie Meyer e a moda dos vampiros não havia chegado – provavelmente os filmes de “Blade” eram a maior referência do início dos anos 2000.
Com um visual inspirado (copiado?) de “Matrix” – roupas pretas, câmera lenta, armas de fogo nas duas mãos –, o longa colocava os novos derivados de “Drácula” lutando contra lobisomens, armados com tecnologia de ponta, nas noites do leste europeu. “Nós meio que atualizamos os vampiros, que estavam antiquados com crucifixos e estacas. Era uma ideia radical na época”, lembra-se a atriz, orgulhosa. “Me sinto como a avó dos vampiros, agora”, ela brinca.
Acontece que vampiros, lobisomens e até zumbis tomaram o cinema americano na última década, o que pode ter desgastado o conceito. A opção de filmar com câmeras 3D e ter cópias em IMAX deixam claro a estratégia de reconquistar o público aumentando ainda mais o espetáculo visual – o grande foco da franquia. Por isso mesmo, Kate também já se pergunta até quando poderá liderar o elenco, afinal a cultura hollywoodiana é mais cruel e sedenta por sangue novo do que o pior vampiro já criado.
“Eu não sei por quanto tempo vai funcionar”, ela reflete sobre sua personagem, lembrando-se de que já está batendo na porta dos 40 anos. “Selena não pode envelhecer. E, de um certo modo, ela nunca envelhecerá nestes filmes. Está sempre linda e sexy em seu traje apertadinho de couro, preservada pela eternidade em gravação digital. Hollywood também sabe criar vampiros”, reflete.
Não que ela descarte um quinto filme. “Eu amo Selene”, ela diz, para alívio de quem já se preocupava em não ter mais a oportunidade de vê-la no ultrasexy colante escuro. “Eu não quero interpretar o mesmo personagem pelo resto de minha vida, mas, enquanto eu puder, ficarei feliz em fazê-lo”. Tudo depende, é claro, da bilheteria de “Anjos da Noite: O Despertar”, que chegou às telas brasileiras na sexta (2/3).
Apesar do novo filme não ser dirigido por seu marido, a separação não vai durar muito tempo. Kate ainda retorna aos cinemas este ano com “Total Recall”, refilmagem de “O Vingador do Futuro”, clássico de Paul Verhoeven estrelado por Arnold Schwarzenegger, que ganha nova roupagem sob a direção de Wiseman.
































