A Gabriela de Sônia Braga volta às locadoras e lojas de DVD

Muito antes de Juliana Paes reviver a retirante Gabriela nas telas da TV, a própria Sônia Braga, responsável por imortalizar a personagem de Jorge Amado na novela de 1975, havia protagonizado ela mesma um filme de cinema em 1983, reinterpretando o papel que a tornou mundialmente famosa. O DVD da Playarte, que estava esgotado, voltou às prateleiras, aproveitando o embalo da nova versão televisiva.

No começo dos anos 1980, o diretor Bruno Barreto estava em alta, após o sucesso avassalador de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) – outra adaptação de um romance de Jorge Amado com Sônia Braga de protagonista. Parecia, então, o cenário perfeito: Sônia, no auge da beleza; Gabriela, a personagem popularizada na TV; a bilheteria de “Dona Flor…”; o interesse de outros países firmarem coproduções com o Brasil.

Eis que, em 1983, “Gabriela” chegou aos cinemas. Com dois produtores alemães e a presença do italiano Marcello Mastroianni (“A Doce Vida”) no papel do árabe Nacib, o filme recriou em Paraty, no litoral carioca, a ambientação de Ilhéus (BA) em 1925, quando a jovem Gabriela chega à cidade durante a seca mais terrível dos últimos tempos.

O filme compila em 100 minutos o detalhado romance de Jorge Amado, o que pode causar estranhamento em quem tiver assistido à novela de 1975 ou for acompanhar a versão atual. Afinal, personagens marcantes entram e saem com rapidez, outros nem sequer aparecem e os conflitos e envolvimentos são acelerados.

A questão do filme, porém, está na falta de traquejo de Bruno Barreto dar conta de todas as relações em cena (diferente do bom resultado artístico obtido cinco anos antes em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”). O filme nunca se decide se aborda os conflitos políticos de Ilhéus ou se mantém seu foco no desejo crescente entre Nacib e Gabriela.

A ideia do livro de Amado, bem adaptada para a televisão nos anos 1970, é juntar as duas frentes narrativas de modo a ilustrar a mudança de pensamento em voga na época, relativa a novos comportamentos no trato da mulher com o homem. Em “Gabriela”, o filme, essas relações apenas são sugeridas, e muitas vezes o espectador fica pouco interessado na parte política e quer mais é ver Mastroianni (dublado em português com sotaque árabe) se arder de vontades e ciúmes pelas provocações da jovem que ele acolhe em casa.

Sônia Braga, aliás, repete os principais trejeitos que já tinha notabilizado na televisão e mantém o jeito muito particular de ser sensual. O que pode incomodar é que, na época do filme, a atriz estava com 33 anos, o que já pesa para a caracterização da personagem como uma garotinha que gosta de pular carniça na rua ou correr atrás do circo (na novela de 1975, ela atuou aos 24 anos).

Curiosamente, Juliana Paes, revivendo a mesma garota agora na TV, tem exatamente 33 anos.

Imagem de Amostra do You Tube


Gabriela

(Brasil, 1983)

Relançamento em DVD

 ★★½☆☆ 

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+ Marcelo Miranda

Marcelo Miranda é crítico de cinema do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, foi curador do Festival de Brasília 2010 e é colunista da revista eletrônica Filmes Polvo. Você pode acompanhar suas matérias também no blog do Polvo.

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