A força expressivamente política de “A Cidade É uma Só?” conquistou o júri da crítica da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes e rendeu ao primeiro longa-metragem do cineasta Adirley Queirós o Troféu Barroco de melhor filme da seção Aurora. Realizada em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília (DF), a produção foi a última das sete concorrentes exibidas na categoria de trabalhos de novos cineastas – até então, o favoritismo estava entre “As Horas Vulgares” (ES) e “Strovengah – Amor Torto” (RJ).
“A Cidade É uma Só?” foi ovacionado por uma plateia de quase 600 pessoas no Cine-Tenda, na noite da última sexta-feira. Para além da forte aprovação popular, o trabalho de Adirley encantou jornalistas e críticos. Em conversa informal nos bastidores, um dos jurados admitiu não ter havido maiores desavenças na escolha do filme como o grande destaque da Aurora este ano.
Com uma apurada construção entre documentário e encenação, Adirley Queirós registra o trajeto de dois moradores de Ceilândia às voltas com a herança de um passado de descaso e “limpeza urbana” perpetrado pelo governo federal nos anos 1970.
O longa foi originalmente feito para um projeto de celebração dos 50 anos da fundação de Brasília – construída para abrigar o poder federal. A grande marca de sua subversão é ser a antítese de uma festa sem motivos para grandes congratulações e festividades.
Confira a premiação completa
Júri da Crítica
Prêmio Aurora de Melhor Filme
“A Cidade É Uma Só?”, de Adirley Queirós (DF)
Prêmio Aurora de Melhor Curta
“Quando Morremos à Noite”, de Eduardo Morotó (RJ)
Júri Jovem
Prêmio Aurora de Melhor Filme
“HU”, de Pedro Urano e Joana Traub Cseko (RJ)
Júri Popular
Melhor Curta
“L”, de Thais Fujinaga (SP)
Melhor Longa
“O Mineiro e o Queijo”, de Helvécio Ratton (MG)
Prêmio Aquisição Canal Brasil
“L”, de Thais Fujinaga (SP)
































