Filme sobre violência policial no Rio vence o festival É Tudo Verdade 2018

Filme sobre violência policial no Rio vence o festival É Tudo Verdade 2018

 

O festival É Tudo Verdade anunciou os vencedores de sua 23ª edição, premiando o comentado “Auto de Resistência”, de Natasha Neri e Lula Carvalho, como Melhor Documentário Brasileiro.

Um dos mais impactantes da mostra de documentários, “Auto de Resistência” conta com a presença de Marielle Franco, vereadora carioca recém-assassinada, em registro da comissão da Assembléia Legislativa carioca que investigou a violência policial do Rio. O filme foi gestado após uma visita da diretora Natasha Neri a uma delegacia de polícia em 2008, quando atuava como pesquisadora no Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Ela conta que, na ocasião, percebeu duas pilhas de inquéritos: uma relativa a homicídios e outra classificada como autos de resistência, em que policiais matavam supostos criminosos. “Não tratavam os autos como homicídio”, disse a diretora, em entrevista ao jornal O Globo.

Com seu marido Lula Carvalho, diretor de fotografia de “Tropa de Elite”, ela resolveu transformar seu acesso aos números da crise da segurança pública em filme. “Tivemos, só em janeiro deste ano, 154 homicídios em consequência da ação da polícia. Isso dá uma média de cinco por dia. Não é algo que a gente possa naturalizar”, afirma.

O filme registra vários casos de abusos, como a chacina de Costa Barros, em 2015, quando cinco jovens foram confundidos com ladrões de carga e receberam 111 tiros da polícia, e o episódio em que um morador do Morro da Providência gravou um grupo de policiais colocando uma arma na mão de um suspeito assassinado. Além disso, também acompanha os familiares das vítimas dos tais autos de resistência, e não perde tempo com análises, fazendo “cinema direto” e urgente sobre seu tema.

Já o vencedor da competição internacional foi “O Distante Latido dos Cães”, do dinamarquês Simon Lereng Wilmont, que acompanha a vida de um menino de 10 anos na fronteira da guerra da Ucrânia. O longa já tinha vencido o Festival de Documentários de Amsterdã e o Festival de San Francisco, também realizado em abril. Como ainda não teve estreia comercial, é uma forte aposta para o Oscar 2019.

Por falar em Oscar, desde 2015 os vencedores da competição de curtas do É Tudo Verdade estão automaticamente qualificados para exame pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood visando uma vaga na categoria de Oscar de Melhor Curta Documental. Os vencedores desta ano foram “Nome de Batismo – Alice”, de Tila Chitunda, e “Ressonâncias”, de Nicolas Khoury, respectivamente melhor curta brasileiro e internacional.

Para completar, um filme de diretora brasileira foi premiado na competição internacional. “Naila e o Levante”, de Julia Bacha, que relembra a Primeira Intifada, na Palestina, venceu o Prêmio Especial do Júri.

Confira abaixo a lista completa dos vencedores, inclusive dos prêmios paralelos do evento.

Vencedores do Festival É Tudo Verdade 2018

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
“O Distante Latido dos Cães”, de Simon Lereng Wilmont – Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)
“Ressonâncias”, de Nicolas Khoury – Melhor Documentário de Curta-Metragem (Júri Oficial)
“Naila e o Levante”, de Julia Bacha – Prêmio Especial do Júri para Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

COMPETIÇÃO BRASILEIRA
“Auto de Resistência”, de Natasha Neri e Lula Carvalho – Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)
“Nome de Batismo – Alice”, de Tila Chitunda – Melhor Documentário de Curta-Metragem (Júri Oficial)

COMPETIÇÃO LATINO-AMERICANA
“Roubar Rodin”, de Cristóbal Valenzuela – Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)
“A Flor da Vida”, de Claudia Abend e Adriana Loeff – Prêmio Especial do Júri para Documentário de Longa ou Média- Metragem (Júri Oficial)

PREMIAÇÕES PARALELAS

PRÊMIO ABD-SP (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas)
“Elegia de um Crime”, de Cristiano Burlan – Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem da Competição Brasileira
“Alice”, de Tila Chitunda – Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira Nome de Batismo

PRÊMIO ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
“Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi – Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem da Competição Brasileira
“Inconfissões”, de Ana Galizia – Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
“Mini Miss”, de Rachel Daisy Ellis – Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

PRÊMIO EDT. (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual)
“Inconfissões”, de Ana Galizia – Melhor Montagem de Curta-Metragem da Competição Brasileira
“Elegia de um Crime”, de Cristiano Burlan – Melhor Montagem de Longa-Metragem da Competição Brasileira

PRÊMIO MISTIKA
“Nome de Batismo – Alice”, de Tila Chitunda – Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

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Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.