Crítica: Baseado em Fatos Reais traz Polanski às voltas com suspense banal

 

Partir de uma história verdadeira, ou seja, acontecida de algum modo, em algum lugar, para criar em cima dela, parece condição corriqueira da criação artística. E o cinema parte também do próprio cinema. Acompanhando “Baseado em Fatos Reais”, o novo suspense de Roman Polanski (“O Escritor Fantasma”), impossível não se lembrar de vários outros filmes similares, envolvendo uma figura pública de sucesso, no caso, uma escritora em crise criativa, e uma fã, conhecedora da história e do talento da escritora, que entra em sua vida de modo tão disruptivo quanto sugador.

Da relação aterrorizante entre duas mulheres, a escritora (Emmanuelle Seigner, esposa do diretor) e a fã Elle (Eva Green), surge um thriller muito envolvente. E que Polanski tratará de trabalhar a seu modo, com seu estilo próprio e assustador, apesar da familiaridade da trama, baseada no best-seller homônimo de Delphine de Vigan e roteirizada por outro cineasta, Olivier Assayas (“Personal Shopper”).

Em uma cena, o diretor até cria uma falsa expectativa e brinca com o espectador. Não era possível que fosse adotar aquele clichê! Quem vir o filme vai notar.

Enfim, um thriller que prende a atenção, e até surpreende, numa história já muito explorada pelo cinema.

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Antonio Carlos Egypto é psicólogo educacional e clínico, sociólogo e crítico de cinema. Membro fundador do GTPOS - Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual. Autor de "Sexualidade e Transgressão no Cinema de Pedro Almodóvar","No Meu Corpo Mando Eu","Sexo, Prazeres e Riscos", "Drogas e Prevenção: a Cena e a Reflexão" e "Orientação Sexual na Escola: um Projeto Apaixonante", entre outros. Cinéfilo desde a adolescência, que já vai longe, curte tanto os clássicos quanto o cinema contemporâneo de todo o mundo. Participa da Confraria Lumière, é associado da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e edita o blog Cinema com Recheio